A realidade em que nos encontramos

1
172
Crónica de Opinião
Sexta-feira, 14 Julho 2017
A realidade em que nos encontramos
  • Rui Mendes

 

 

Esta semana assistimos a mais um debate sobre o Estado da Nação.

As posições dos grupos parlamentares foram as expectáveis.

Mas Portugal não viverá um momento tão positivo quanto nos querem fazer crer.

O que ficou claro neste debate, julgo que por todos, é a forma como o Governo aplica as medidas de austeridade, conhecendo-se hoje os seus efeitos.

Para quem foi dizendo que o Governo não tinha um plano B, fica claro que afinal havia outros planos, apelide-se ele de B, C ou se lhe dê outra designação.

Sempre soubemos que em questões orçamentais não existem milagres, e quando se inventam soluções, mais tarde ou mais cedo alguém as terá que resolver. É sempre assim.

A mudança de Governo gerou-se numa fase em que vários factores externos, como os baixos juros e o imprescindível apoio do BCE, o baixo preço do petróleo, o turismo em alta, entre outros, e internos, tais como a melhoria do clima social, do nível de confiança, e a estabilidade politica, muito devida à permanente intervenção do presidente da republica, contribuíram para o melhoramento de alguns indicadores, em especial o défice e o desemprego, que vieram a apresentar resultados positivos e que não esperados serem reduzidos nessa dimensão.

Mas realidade é que continuamos, e vamos continuar, a viver em forte austeridade, o que mudou foi o modo como ela é aplicada.

O que verdadeiramente se alterou foi o discurso, claramente mais positivista e sempre optimista. E esse tipo de discurso é transmitido sempre, seja na abordagem de assuntos banais, seja para explicar problemas graves. Fica-nos sempre a ideia que nada é um problema.

O dilema é que os problemas não se resolvem com optimismos, nem com um discurso menos preocupado.

Tantas vezes vamos ouvindo os membros do executivo referir que estamos a resolver isto e aquilo, que parece que os problemas são resolvidos. E quando nos inteiramos está tudo basicamente na mesma.

Nos impostos directos pouco ou nada se fez, nos indirectos pode-se tributar que poucos são os que os questionam, nem tão pouco o vulgar cidadão identifica a parte respeitante ao imposto que está a pagar.

Nos Serviços Públicos que se corte, ou melhor, que se cative o necessário. E diz esta solução governativa que se deve defender os Serviços Públicos. Que grande paradoxo.

No que se refere a remunerações apenas foram repostos os montantes que haviam sido retirados, Nada mais que isso.

E mais, muito mais, poderíamos aqui referir, do que anda para ser resolvido. Não se sabe é quando.

O que verdadeiramente nos deve interessar é que o país resolva os seus problemas estruturais, que se criem condições favoráveis para a capitalização das empresas, que se resolvam os problemas da banca e os seus reais impactos nas contas públicas e que se expliquem as imparidades verificadas particularmente na CGD, que se caminhe para a progressiva redução da divida, a qual apresenta um valor acima dos 130% do PIB, quando o PIB tem apresentado um crescimento. Algo absolutamente preocupante e o maior problema do país. A melhoria do rating, na perspectiva das várias agências, dependerá da redução da dívida.

É que felizmente temos beneficiado de um clima favorável, o qual certamente não durará sempre, e a melhor defesa de um país é apresentar uma economia robusta, sustentada num forte e competitivo sector empresarial, o qual deverá ser capaz, por si, de responder positivamente aos problemas que o país apresenta, contribuindo para a redução do desemprego, para a qualidade do emprego gerado, para a valorização do trabalho, para o continuo crescimento do sector das exportações, resultando também no crescimento da receita fiscal, contribuindo dessa forma para a modernização do país.

É esta a nossa expectativa, fazer crescer o país através de uma economia forte, e assim poder distribuir a sua riqueza, e não distribuir aquilo que no futuro não estará assegurado que venha a existir.

E é neste ambiente que vamos para férias.

Até Outubro

Rui Mendes

partilhar