O nível mais baixo

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Crónica de Opinião
Quinta-feira, 12 Outubro 2017
O nível mais baixo
  • Eduardo Luciano

 

Esta poderia ser uma crónica de análise de resultados eleitorais. Poderia ser também uma crónica em tom ufano de quem saiu vitorioso de uma peleja eleitoral. Também seria admissível que fosse uma espécie de ajuste de contas.

Não será nada disso. É apenas um olhar muito pessoal para o que aconteceu durante a campanha e pré campanha eleitoral.

De todas as campanhas eleitorais em que participei, esta foi aquela em que onde a atitude de alguns foi mais ao fundo do pior que um ser humano pode ter.

Dirão que tal se deve à possibilidade de tornar público por qualquer pessoa, para um universo imenso de espectadores, de tudo o que se passa entre as suas orelhas. Não desvalorizando que essa possibilidade torna mais visível a indigência intelectual de uns e a ausência de carácter de outros, não se deve seguramente à visibilidade das redes sociais a capacidade de alguns de julgarem os seus dissemelhantes pelas bitolas do seu comportamento e até diria do seu pensamento se achasse que pensam.

Valeu tudo. Desde a criação de perfis falsos para difamar e injuriar, até à utilização de publicidade paga como propaganda eleitoral.

Desde criar situações de falso alarme para provocar um suposto facto de insegurança, até à violação do direito à imagem com gravações vídeo não autorizadas de pessoas e bens.

A propagação da mentira através da estratégia cobarde de divulgar sem dar a cara, ou a deselegância do insulto em forma de título de crónica, são apenas exemplos de uma forma insidiosa de agir que marcou esta campanha eleitoral.

Durante algum tempo fui alvo pessoal dessa forma de agir e senti na pele o que valiam e como eram desprezíveis os agentes de tal estratégia.

Apesar de incomodado entendi não reagir. Sabia que mais tarde ou mais cedo se cansariam e eu acabaria por me poupar ao desgaste de uma luta que não valeria a pena.

Recebi inúmeras mensagens de solidariedade de gente que não sendo apoiante da força política que me candidatou, percebia que a dignidade e o direito ao bom nome não podiam ser beliscados quando o que estava em causa eram opções políticas diferentes.

Bem sei que alguns me diziam uma coisa em privado e manifestavam simpatia pública pelas atoardas que iam sendo escritas, mas entendi isso como um dever de mostrar publicamente o contrário do que pensavam, apenas por mera oportunismo clientelar.

Não há ajuste de contas a fazer, mas há uma consciência maior de quem são e o que pensam algumas pessoas que sorriem para mim, quando nos cruzamos na rua ou nos corredores da Câmara.

Também tive a grata oportunidade de conhecer pessoas que estando nos antípodas do que penso, foram de uma elevação e honestidade intelectual a toda a prova, antes, durante e depois do período eleitoral, não deixando de criticar e de propor soluções alternativas.

A minha prima Zulmira, aconselha-me a que esqueça esses episódios e que ofereça a outra face a quem nesta bateu. Desta vez, lamento dizê-lo, não vou seguir o seu conselho. Quer relativamente aos que o fizeram perante o mundo através das redes sociais, quer aqueles que o fizeram à mesa de um qualquer repasto para convencimento de alguma incauta.

Palavra de Jeremias, o fora-da-lei!

Até para a semana e desculpem lá o desabafo

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