Escassez e desadequação de equipamentos preocupam médicos de Évora

Escassez e desadequação de equipamentos preocupam médicos de Évora

Quinta-feira, 19 Março 2020
Alentejo

O alerta é feito pela presidente da Sub-região de Évora da Ordem dos Médicos, Maria Augusta Portas Pereira.

Os equipamentos de proteção individual usados pelos médicos dos centros de saúde (HESE) são poucos e desadequados.

“Estamos um bocado no improviso e sabemos que não estamos a atuar de maneira correta face a esta guerra de contágio”, afirma.

Segundo a responsável, nos cuidados de saúde primários não existem “equipamentos de proteção individual”, conhecidos como “pijamas hospitalares”, e os que os médicos estão a usar trouxeram de casa e lavam-nos todos os dias “na máquina em programas de alta temperatura”, porque “não há esterilização”.

Os clínicos, refere a presidente da Sub-região de Évora da OM, também estão a vestir as batas protetoras, mas estas “são as que as senhoras usam no planeamento familiar”.

“As máscaras são cirúrgicas e não são as indicadas para este tipo de contágio”, realça, indicando que, para além disso, também estão a ser “racionadas”, porque os médicos só têm “uma por dia, quando deviam ser mudadas várias vezes ao dia”.

“Transformámos todos os gabinetes de consulta em espaços de isolamento para quando surgir um caso suspeito metermos a pessoa nesse local e só falamos por telefone, porque só temos dois fatos indicados para o contacto com um doente infetado”, acrescenta.

Maria Augusta Portas Pereira nota que o relato dos colegas do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) “é exatamente o mesmo”, uma vez que também estes profissionais “só têm mascaras cirúrgicas e têm fatos e equipamentos desadequados”.

A médica contou que no seu centro de saúde estão a fazer “trabalho social”, nomeadamente a “contactar os utentes por telefone para lhes pedir que não se desloquem aos serviços de saúde, mas também a fazer um levantamento das redes de cuidadores informais para o caso de ser necessário e a transmitir normas de isolamento”.

Numa informação divulgada pelo Gabinete de Comunicação e Marketing do HESE, a unidade hospitalar garantiu que, nesta fase, “dispõe de equipamentos de proteção individual”, mas admitiu “o contexto de uma utilização racional”.

Nesse sentido, o HESE sublinhou que “qualquer contributo será bem-vindo, nomeadamente máscaras e outros dispositivos de proteção individual certificados”.

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