0s 3 000 000 €

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 04 Outubro 2023
0s 3 000 000 €
  • Paula Pita

Na passada 6ª feira, dia 29 de setembro, realizou-se a Assembleia Municipal de Évora no Edifício da CIMAC, local pouco adequado para a reunião.
Hoje abordarei o tema Pedido de Autorização Prévia dos investimentos a financiar por recurso a empréstimos de médio e longo prazo, no valor de 3 000 000 €.
Esta questão foi polémica nas reuniões públicas do Município, tendo a nossa vereadora, Florbela Fernandes, em nome do MCE, decidido pela abstenção.
O comunicado enviado à comunicação social pela Vereadora foi ignorado ou alterado. Não deixa de ser curioso a quase inexistência do MCE para a comunicação social da cidade se a compararmos com a cobertura que dão à atividade partidária.
Resumidamente, o comunicado refere que o MCE compreende a urgência de se investir na rede viária e infraestruturas/ciclo urbano da água. O problema prende-se com a gestão financeira do executivo, que tem outras prioridades, comprometendo, ainda mais, a gestão futura da autarquia, ao inviabilizar novos empréstimos, uma vez que a nossa margem atual para endividamento é de cerca de 4 milhões de euros. Por outro lado, o Município nada fez para aumentar a receita e para garantir um serviço mais eficiente e eficaz.
Esta tomada de posição não inviabilizou a aprovação da proposta.
Para cumprir a legislação, é também preciso a aprovação da Assembleia Municipal, o que aconteceu. De salientar que o documento entregue, com indicação dos investimentos para os quais este valor será canalizado, refere que será para requalificação do troço entre a rotunda da Rua da Horta das Figueiras e a Rotunda do PITE, pavimentação do troço entre a rotunda da EN 380 e a Rotunda da Rua Horta da Figueira- variante do PITE, obra adjudicada no valor de cerca de 630 000€ e a reabilitação de troço da variante à cidade de Évora, cujo preço base de concurso público é de 780 000.00€. Estas obras têm um valor total de cerca de 1 400 milhões €. Sobram 1 350 000 € para a rede de água e rede viária.
Assim, cerca de 1 400 milhões € daquele futuro empréstimo são para obras que já estão adjudicadas ou em concurso!! Ora isso fez-nos ouvir campainhas de alerta!! Não há dinheiro para pagar o investimento que já está em andamento? Porquê?! Será indício do que sempre foi o alerta do MCE, de que a dívida não está a ser combatida, apenas gerida.. O que levará a que em 2025, uma nova gestão da autarquia, não tenha possibilidade de recorrer à banca para fazer investimentos. Metade do empréstimo que a Câmara, diz putativo, não é para suprir necessidades futuras, é para pagar dívidas atuais.
Por este motivo, a bancada do MCE, secundou a posição da nossa vereadora, Florbela Fernandes, e absteve-se. Não votou contra porque, ainda assim, se pretende dar ALGUMA resposta às necessidades dos munícipes e porque as obras em curso têm que ser pagas.
O MCE sempre se pautou por uma oposição construtiva, com vista a melhorar as condições de vida dos eborenses. Nunca passou um cheque em branco, mostrámos sempre as nossas preocupações e discordâncias, apresentando sugestões e outras abordagens à gestão camarária (concretamente no que respeita ao combate à dívida estrutural, que muito tem custado a todos nós eborenses) face
às prioridades da CDU, totalmente diferentes das do MCE: cuidar de Évora.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com