1 de novembro- Dia da Universidade

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 01 Novembro 2023
1 de novembro- Dia da Universidade
  • Maria Paula Pita

Estudei na Universidade de Évora. Foram anos extraordinários de aprendizagem e de companheirismo. Mas também de diversão, em que se aliava estudo e saídas à noite. Manel dos Potes, Café Alentejo, Comendinha, Rumba, Amas do Cardeal, Xeque-Mate, os Galegos, faziam parte do roteiro da noite eborense.
Os estudantes trouxeram, trazem, vida à cidade, contribuindo para a abertura da sociedade fechada eborense a novas formas de estar. Muitos ficaram por cá. Sentiram-se em casa e ofereceram-lhes oportunidades.
Com o tempo a dialética cidade/estudante tem-se deteriorado. A cidade viu nos estudantes uma mina de ouro, mas não zelou por ela. Os equipamentos de acolhimento são poucos a oferta privada a preços exorbitantes e, muitas vezes, sem condições. Os estudantes frequentemente ocupam o espaço sem se adaptarem às normas vigentes, destacando-se o ruído noturno, num espaço público predominantemente habitado por uma população envelhecida ou em em idade ativa. Nas redes sociais acumulam-se queixas, não só pelo ruído, mas também pelas ruas emporcalhadas que deixam à sua passagem e pelas praxes que se estendem pela madrugada fora, durante meses consecutivos. Mas há boas praxes! No curso de Medicina Veterinária, optou-se por tornar os caloiros voluntários no Projeto Fiel e passear os cães que lá se encontram. Praxe prazerosa e útil para a comunidade.
Estarei a dizer que os estudantes não são bem-vindos em Évora? De todo! Fazem parte da nossa cidade! Afinal temos a 2ª Universidade mais antiga de Portugal e queremos que se mantenha entre as melhores do país.. Existe desde o século XVI, com a interrupção do Marquês de Pombal e a expulsão dos Jesuítas até aos anos 70 do século XX.
Que não se podem divertir? De todo! Mas têm que cumprir a lei do ruído, como qualquer um de nós. Todos, os habitantes do Centro Histórico e os próprios estudantes que aí residem, têm direito ao descanso necessário para se poder trabalhar, estudar e produzir.
A Câmara tem que ser mais proativa nesta questão do ruído. Deve ter a mesma postura das últimas Queimas das Fitas, em parceria com a Associação de Estudantes da Universidade de Évora. A própria Associação deve ter um papel de consciencialização dos estudantes e ter uma intervenção cívica junto dos seus. Finalmente, a concertação com a PSP.
Mas o município tem que fazer mais pelos estudantes. Em parceria com a Universidade, que é quem tem a competência, tem de melhorar as condições de acolhimento a quem escolheu Évora para estudar, garantindo o acesso às melhores condições de estadia e empenhar-se na fixação de jovens licenciados, mestres ou doutores/investigadores, na cidade ou nas nossas aldeias. Só uma cidade com população jovem, capacitada, pode almejar desenvolvimento sustentável e estruturante para o território, não descurando os estudantes universitários eborenses no seu percurso escolar, criando medidas para os fixar no concelho que é nosso!.
Dia 01 de novembro, é o dia da Universidade de Évora! Marca o início do ano letivo e assinala a fundação da Universidade Jesuíta, em 1559, pelo cardeal D. Henrique. Parabéns à Universidade de Évora e a todos os que dela fazem parte hoje e ontem!

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