1. Do Verão com frugalidade

Crónica de Opinião
Terça-feira, 18 Setembro 2018
1. Do Verão com frugalidade
  • Cláudia Sousa Pereira

 

 

É com muito gosto que retomo o convívio com os ouvintes (e leitores) da Rádio Diana em mais uma edição das Crónicas de Opinião. Este ano não me impus uma linha rígida para reflectir convosco sobre o que nos, ou me, vai marcando o passar do Tempo. Vou, com a vossa licença, deixar fluir.

O Verão passou-me sem que conseguisse espaço de evasão, com uma incapacidade alheia a vontade própria de me desligar de factos e notícias que foram acontecendo. Hoje, para começar, aflorarei uma meia-dúzia. A eles voltarei seguramente, ou porque se prolongarão, ou porque se repetirão, ou porque deles outros factos e notícias hão-de nascer. Vou fazer uma espécie de balanço de alguns dos que, na pausa, realço como positivos ou negativos. Pensei que havia de encontrar, nos dois lados, igual número de assuntos que versassem sobre o que gostei ou não. Não consegui, e os primeiros dobram os segundos. Afinal, há que saber, de quando em vez, seguir um natural instinto sem o contrariar, e humanamente reclamar mais do que elogiar. Começo pelo que foi negativo, para depois terminar com as notas positivas.

1. Porque o mundo não pára para ir de férias, as tragédias continuaram a acontecer, com especial relevo para as da época: os incêndios. Se o assunto é mau, não posso deixar de pensar que, apesar de tudo e entendendo revoltas várias, foi menos mau não termos de chorar as mortes que os incêndios podem causar. 2. Porque ir de férias também pode implicar dar férias a outros, não posso deixar de sentir uma certa “vergonha alheia” pela figura que o Presidente da República fez questão de fazer durante o que chamou as suas férias. O que, no meu entender, não é a mesma coisa que ir de férias para um sítio – a Manta Rota, por exemplo, ou o Vau – e ter a comunicação social a “cobrir” rotinas privadas. De um PR exige-se uma certa gravitas, por muito que ser popular seja um programa político disfarçado de naturalidade. 3. Porque não se pode exigir de todos os outros, sem complacência nem direito a justificações, e se crucifiquem pelos seus erros e incoerências, ao abrigo de uma não sei bem que impunidade, o caso de Ricardo Robles – cordeiro sacrificial de um colectivo tão populista como o programa de férias da individualidade anterior – não deixa de ser mais uma acha para alimentar a fogueira injusta onde se queimam, afinal sem excepções e com algumas mortes simbólicas, todos os políticos. 4. Porque do ridículo também se podem tirar muitos motivos de reflexão, assinalo a contestação ao Festival do Caracol de Loures levada a cabo por um grupo de gente que, não sei se por semelhança com o miolo do caracol ou com a aparente arrumadinha postura do invertebrado, resolveu fazer o seu “numerozinho”.

De positivo, realço a dignidade dos comentadores de ciclismo da nossa praça, já que ouvi muito do Tour de França e da Volta a Portugal, uma superioridade que cresce quando se assiste ao nível tão baixo a que o comentário de futebol chegou por parte dos que se aperaltam para ir à TV. Aliás, com eles contrasta também o nível de civismo dos jogadores que, numa perspectiva histórica, quem joga à bola vai tendo. Força rapaziada!, sejam rapazes ou raparigas quem faz rolar a bola. E, para terminar, falo-vos de uma reportagem que só apanhei uma vez na TV em que se mostrava como o novo director de serviços das Urgências do Hospital de Faro – aquelas que pareciam um cenário de filme de guerra – pôs fim ao caos e as coisas correm normalmente, como seria de desejar. Tão normalmente que, como tudo o resto que assim é, nem é digno de notícia. Ou de imitação por parte de outros, já agora.

Até para a semana.

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