1.º de Maio em tom de elogio à classe trabalhadora dos Políticos

Crónica de Opinião
Terça-feira, 28 Abril 2020
1.º de Maio em tom de elogio à classe trabalhadora dos Políticos
  • Cláudia Sousa Pereira

 

 

Sem dúvidas de que alguma vez venha a ser uma crónica caça-likes, para usar uma expressão das tão frequentadas redes sociais, não posso deixar passar a oportunidade do 1.º de Maio para vir defender uma classe trabalhadora. Depois dos bombeiros em geral, depois dos profissionais de saúde em geral, se terem transformado em heróis colectivos – porque o ser humano anda sempre à procura deles – não corro o risco de estar a iniciar onda semelhante. Nem quero!
Esse tipo de onda também serve para escancarar a passagem a quem só espera o momento para ser esse herói sem ter sequer levantado o dedo mindinho para o merecer, a não ser apanhar a outra onda dos que vociferam que “qualquer coisa é melhor do que isto”. Os EUA e o Brasil podem ser-nos exemplos muito úteis.
É assim que, neste 1o de Maio, a minha palavra de reconhecimento, não desfazendo nas outras, vai para a classe política. E a ela pertencem não só quem ocupa os cargos que gerem colectivos maiores – Governos e Assembleias – como também todos os que exercem funções de gestão de instituições públicas, que vivem com o contributo de todos e, como tal, dispostas a servir todos o melhor possível.
Parece-me que esta é a única classe de gente que trabalha que nunca merece elogios colectivos. Muito pelo contrário. O que não só, na minha opinião, é injusto, como é mau ao ponto de também promover a atitude de mártires. Mesmo que não tenham a sorte, esses “wanna be mártires”, dos outros trabalhadores pseudo-mártires das outras classes que, a reboque dos mártires reais, se encostam a eles no momento das vénias.
O meu elogio é, pois, moderado, mesmo que reconheça o quão imprescindíveis são os Políticos. É afinal um elogio que tem um objectivo muito claro: que aprendamos, todos, sobretudo os que não se interessam nada por Política mas que, legitimamente, também não se coíbem de fazer o seu comentário mais ou menos informado, com um princípio elementar da Política e dos que a exercem com profissionalismo: em Política não se discutem casos, nem pessoas, discutem-se princípios e age-se em conformidade. Termino citando um líder de uma oposição responsável na sessão comemorativa deste 25 de Abril, um Político portanto, ao criticar posturas anti-democráticas, reveladoras de ingratidão: “o que é próprio de alguns homens é impróprio ao Homem”, ou melhor, corrijo agora eu, ao ser humano.
Até para a semana.

 

Cláudia Sousa Pereira

Universidade de Évora
Departamento de Linguística e Literaturas
CIDEHUS.UÉ
Centro interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades

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