120 mil aves desalojadas do Montijo

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 22 Janeiro 2020
120 mil aves desalojadas do Montijo
  • Alberto Magalhães

 

 

Decorreu um ano sobre a assinatura de um desastrado acordo entre a ANA dos aeroportos e o Governo, para a implantação daquilo que dizem ser uma espécie de aeroporto na base aérea do Montijo, paredes meias com uma área protegida, onde se acolhem regularmente cerca de 200 espécies de aves. É a avifauna aquática migradora que atribui ao estuário do Tejo o estatuto de mais importante zona húmida do País e uma da mais importantes da região mediterrânica e do continente euroasiático, chegando a atingir os 120 mil efectivos nos períodos de passagem migratória.

Pois ontem, a APA, Agência Portuguesa do Ambiente, instituição (como o nome indica) certamente de carácter técnico-científico respeitável e politicamente independente, veio confirmar (sim, confirmar, porque o Governo já, certamente, o sabia de fonte segura e por isso assinou o acordo), veio confirmar, dizia, a viabilidade ambiental do aeroporto do Montijo. Bom, com algumas medidas de compensação e minimização dos impactos, mais exactamente 160, que custarão 48 milhões de euros à ANA. São medidas, segundo parece, relacionadas com a avifauna, o ruído, a acessibilidade e as inefáveis e inevitáveis alterações climáticas.

Segundo o Observador, será constituída uma sociedade-veículo… não, não é para o transporte dos passageiros, mas sim para “a implementação de actividades directamente conexas com a protecção e conservação das aves selvagens”. Já estou a imaginar a sociedade-veículo transportando 120.000 pássaros para o novo bairro social, lá para os lados de Alcochete. Brincamos ou quê?

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