Diálogo social precisa-se

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 09 Fevereiro 2018
Diálogo social precisa-se
  • Rui Mendes

A Autoeuropa entrou na agenda à várias semanas, por razões que se prendem com a conflitualidade laborar que se vive na empresa.

O certo é que no passado a Autoeuropa sempre foi vista como um exemplo. Uma empresa em que o diálogo entre a administração e os representantes dos trabalhadores acontecia com resultados favoráveis para as partes e que, muito provavelmente, também por isso a Autoeuropa foi “premiada” com a produção de um modelo topo da Volkswagen. Um dos modelos de grande produção.

Hoje, pelo que vamos assistindo, o dialogo não será tão fácil. Mudaram os actores. Mudaram as vontades.

Todos os episódios que temos assistido não ajudam a que se restabeleça um diálogo profícuo. Antes, promove-se o discurso da desconfiança, o qual é o caminho errado.

Não tem sido poucas as vozes a alertar para os futuros efeitos que este conflito poderá trazer para a Autoeuropa. E quaisquer efeitos que o conflito tenha os trabalhadores serão sempre afectados. Como o será a economia, em particular a local.

Quem promove o conflito será responsável, não o esqueçamos. Mais tarde não se invoquem razões que, de todo, justifiquem o que não é justificável.

A competitividade de uma fábrica da natureza da Autoeuropa não será vista apenas sob o prisma da produtividade. As matérias de ordem laborar também entram e, é certo, que com o clima laboral vivido a Autoeuropa terá já perdido um dos pilares que a colocaram como uma das fábricas modelo do grupo Volkswagen.

Os recentes casos de insolvência da Triumph e Ricon, aliás bastante divulgados pela comunicação social, não serão em nada semelhantes ao caso da Autoeuropa.

Porventura serão até totalmente distintos do da Autoeuropa, talvez até houvesse naquelas empresas um diálogo social intenso. Contudo, os principais e primeiros lesados com aquelas insolvências foram os trabalhadores daquelas empresas.

Os trabalhadores são sempre lesados quando as empresas não vivem tempos saudáveis, pelo que eles deverão ser sempre um factor de estabilidade, razão também porque os recursos humanos de uma qualquer organização são o seu maior activo.

A conflitualidade laboral em nada ajuda, pelo contrário, pelo que os problemas deverão ser resolvidos pela via do diálogo. Só essa via garante a estabilidade, que é aquilo que se pretende na Autoeuropa.

Até para a semana

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