1º de Dezembro com Fernando Pessoa

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 01 Dezembro 2021
1º de Dezembro com Fernando Pessoa
  • Alberto Magalhães

 

Pensando melhor, resolvi deixar para amanhã a conversa sobre vacinas. Afinal, hoje comemora-se a restauração da Independência de Portugal. Atrevo-me, por isso, a dizer-vos um poema de Fernando Pessoa, escrito por volta de 1921, que pode ajudar-nos a ver o dia numa perspectiva algo diferente:

De leste a oeste, vez e vezes,

De norte a sul do inerte mundo,

Nós, espanhóis e portugueses,

Do ignoto fomos ao ermo fundo.

Hoje, quem é o nosso povo?

Qual o destino que vai avançando?

Para quando é o Império Novo,

Ó mãe Ibéria, para quando?

De leste a oeste comandámos,

Onde o sol vai, pisámos nós.

Ao luar de ignotos fins buscámos

A glória, inéditos e sós.

Hoje a derrota é a nossa vida,

Doença o nosso sono brando.

Para quando é a nova lida,

Ó mãe Ibéria, para quando?

Dois povos vêm da mesma raça,

Da mãe comum dois filhos nados,

Espanha, glória, orgulho e graça,

Portugal, a saudade e a espada,

Mas hoje… clama no ermo insulso,

Quem fomos pequenos somos chamando.

Para quando é o novo impulso,

Ó mãe Ibéria, para quando?

(Mensagem e outros poemas sobre Portugal, Assírio & Alvim, pp. 52-53)

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