O eleitoralismo nos transportes públicos

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 20 Março 2019
O eleitoralismo nos transportes públicos
  • Alberto Magalhães

 

O eleitoralismo nos transportes públicos

Fartei-me de rir, no domingo, quando ouvi Luís Marques Mendes, referindo-se ao abaixamento do preço dos transportes públicos nas áreas metropolitanas e intermunicipais, como sendo uma excelente medida, uma autêntica “revolução” mas, ao mesmo tempo, designando-a como “a medida mais eleitoralista dos últimos 25 anos”, por entrar em vigor “a dois meses das europeias e a seis das legislativas”. Disse ele, naquele seu ar definitivo, “é uma medida justa, necessária, mas com um eleitoralismo à solta brutal”.

Julgava eu que, no léxico político, “eleitoralista” se diria de uma medida que, embora podendo render muitos votos, fosse obviamente errada, desadequada e até iníqua ou perniciosa. Mas afinal, ontem, para meu grande espanto, o PSD fez coro com o seu antigo líder. A medida é boa, a medida é salutar, e nós aplicá-la-iamos sem hesitação. Mas se fôssemos nós a aplicá-la, tê-la-iamos aplicado muito antes das eleições. E mais, tê-la-iamos estendido a eito por todo o país. E ainda mais, teríamos antes garantido haver mais autocarros, eléctricos, linhas de metropolitano e ferrovias, a ligar todas as aldeias e vilas de Portugal.

E sobretudo, sobretudo, estivesse o PSD no governo, esta medida seria anunciada com o devido recato, sem pompa e circunstância, sem a mínima dose de eleitoralismo.

Rio, rio, por que me rio?

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