20 Grandes Caloteiros

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 10 Maio 2021
20 Grandes Caloteiros
  • Maria Helena Figueiredo

 

 

O que se passa com o Novo Banco é de tal forma escandaloso que deveria concitar uma rejeição muito forte por parte dos portugueses.

Tivemos, não há muitos dias, o resultado da auditoria do Tribunal de Contas que aponta falhas graves no controlo e supervisão do processo de resolução e afirma que o dinheiro injectado através do Fundo de Resolução é dinheiro dos contribuintes, ao contrário do que sucessivamente nos foi dito pelo Governo.

Resulta do Relatório que todas as decisões da Administração do Novo Banco contribuem para decidir qual é a chamada de capital pedida ao Fundo de Resolução, ou seja são tomadas tendo por objectivo ir “sacar” ao Fundo os montantes que nos diziam que em princípio não seria utilizado. Tudo isto quando o Fundo de Resolução não tem poderes para escrutinar as decisões da administração.

As conclusões da Auditoria feita pelo Tribunal de Contas são claras, mas apesar disso o Governo prepara-se para injectar mais 478 milhões de euros no Fundo de Resolução destinados ao Novo Banco.

Os custos com o Novo Banco já totalizam 7.876 milhões de euros, 4.900 milhões de euros da capitalização inicial, em 2014, e 2.976 milhões ao abrigo do mecanismo contingente desde 2017.

Mas todos sabemos que quando os números são muito grandes temos muita dificuldade em concretizar a sua real dimensão e o seu impacto e é isso que acontece no caso do Novo Banco.

Mas se começarmos a traduzir estes números em coisas mais concretas, conseguimos ter uma melhor noção do assalto de que estamos a ser alvo – sim, é de um intencional assalto que se trata.

O que o Governo se prepara para injectar só este ano no Novo Banco dava para construir 2 Hospitais Centrais do Alentejo e ainda sobravam 90 milhões.

E se pensarmos que a Ponte 25 de Abril, a preços de 2015, custaria 800 milhões de euros, o que se pagou pelo Novo Banco até agora dava para construir 9 pontes sobre o Tejo.

Mas não é só o astronómico montante que andamos a pagar que está em causa, é também todo o esquema que está subjacente. A Administração do Novo Banco prorrogou as dívidas de forma a que os grandes devedores tivessem tempo para fugir ao seu pagamento, porque sabia que ia buscar essas verbas ao Fundo de Resolução.

Deliberadamente safou os amigos e “entalou” os contribuintes. Merece os 2 milhões de euros de prémio de gestão que se autoconcedeu!

E neste clima de impunidade, assistimos ao que mais parecia um número humorístico em vez de a uma audição numa Comissão Parlamentar de Inquérito dos Grandes Devedores do Novo Banco.

Moniz da Maia, apresentou-se num papel que oscilou entre o amnésico e o débil mental, esquecido do nome das suas empresas e dos 533 milhões de euros que deve, ele que nada tem em seu nome e que só ganha 3.000 por mês! E foi ver o papelaço de João Gama Leão, chamando ladrões aos outros devedores, porque ele que “só” deve 300 milhões não pode ser comparado com aqueles.

Foi ultrapassado tudo o que é admissível, emparelhando, um e outro, no acinte ao povo português com a audição aqui há tempos de Joe Berardo, que “só” deve 304 milhões ao Novo Banco.

São 20 Grandes Caloteiros, “portugueses de bem” que pregaram um calote de 1,26 mil milhões de euros, pagos por nós, contribuintes, entre 1 de Julho de 2016 e finais de 2018, que se passeiam livremente por aí, rindo na nossa cara, beneficiando da complacência de ex e actuais Governadores do Banco de Portugal, Ministros das Finanças e Governo.

Um País que se respeite não aceita isto. Um Governo que respeita os seus cidadãos não compactua com isto. É mais que tempo de acabar com esta fraude em que se transformou o Novo Banco.

Até para a semana.

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