30 anos de TV privada

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 06 Outubro 2022
30 anos de TV privada
  • Alberto Magalhães

 

 

Há 30 anos, a 6 de Outubro de 1992, nascia a SIC, a primeira televisão privada portuguesa, acabando com o monopólio da televisão estatal, a RTP. Meses depois, a 20 de Fevereiro de 1993, surgia a TVI e no ano seguinte a televisão por cabo. As possibilidades de escolha foram aumentando e continuam a aumentar, no cabo, no streaming, na internet, de uma forma que, há 30 anos, só a ficção científica se atrevia a prever.

As vantagens parecem óbvias: maior concorrência, maior liberdade de escolha, possibilidade de servir um leque variado de públicos. A liberdade de informar e ser informado, em termos televisivos, cresce a partir de 2001, quando nasce a SIC Notícias, logo seguida de outros canais com informação 24 horas por dia.

Mas a diversidade não trouxe, necessariamente, maior qualidade. Grande parte da programação generalista não atinge os mínimos e segue a mesma receita há anos a fio: manhã e tarde com culinária, música pimba, artesanato e confissões sentimentais, entremeados com publicidade enganosa a “remédios naturais” e apelos enganadores a telefonemas de valor acrescentado. À noite, além das telenovelas cada vez mais específicas, oferecem-nos um rol de reality shows, com personagens que espero, sinceramente, não serem exemplares representativos da espécie.

Quanto aos canais de informação, primam pela relativa mansidão em relação aos poderes instalados, disfarçada por vezes com uma espécie de assertividade deslocada. Sobretudo, perdem demasiado tempo com casos e casinhos e interrompem, demasiadas vezes, conversas importantes. Resta dizer que parece ser esta a televisão de que a maioria dos portugueses gosta. Bom proveito!

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