500 mil broncos ou fascistas?

Nota à la Minuta
Terça-feira, 26 Janeiro 2021
500 mil broncos ou fascistas?
  • Alberto Magalhães

 

 

Por alguns comentários que tenho apanhado nas redes sociais, temos então estabelecido que para uma boa parte da esquerda mais batalhadora, que gosta de ir à raiz das coisas, o país alberga no seu seio uma multidão, de quase meio milhão de criaturas deploráveis, que por terem votado em André Ventura são seguramente racistas, machistas, xenófobas, homofóbicas, transfóbicas e, acima de tudo, perigosos fascistas, dispostos a tudo para derrubarem a nossa preciosa democracia, confinarem os ciganos, expulsarem os negros, subjugarem as mulheres e oprimirem as minorias sexuais.

Curiosamente, a maioria desses detestados eleitores situam-se no Portugal interior, no país desindustrializado, envelhecido, empobrecido, esquecido quase todo o ano pelos democratas cosmopolitas e progressistas do litoral urbano. Desde Trás-os-Montes até ao Algarve, passando pelas Beiras Interiores, o Ribatejo e o Alentejo, o candidato Ventura beneficiou do azedume destes abandonados à sua sorte, fartos de engolir as versões mais avançadas e idiotas do politicamente correcto, fartos de terem rendimentos abaixo da média nacional e de verem os ladrões de bancos em liberdade, fartos do nepotismo dos dirigentes políticos, etc., etc…

São broncos por acreditar que o histriónico Ventura tem soluções reais para os seus problemas? É que eles já desacreditaram dos que lhes vêm prometendo e adiando soluções há décadas. Eu sei que eles estão enganados e do Ventura não lhes virá nada de bom. Mas deixem-me fazer uma pergunta final: boa parte da malta de esquerda não acreditou já, ou ainda acredita, na banha-da-cobra soviética, cubana, maoista ou albanesa? Eram soluções reais para os problemas de quem? Não há motivos para sentimentos de superioridade moral. Há que combater o fenómeno com argumentos e não com insultos.

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