Os impostos de 2017

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 23 Setembro 2016
Os impostos de 2017
  • Rui Mendes

 

 

Quem diria.

Apregoou-se que a austeridade tinha chegado ao fim e afinal criam-se novos impostos. É a austeridade à la gouche.

Claro que a austeridade não terminou, e não irá terminar nos anos mais próximos. A demonstrá-lo está a enorme carga fiscal que recai sobre os contribuintes. Tudo tem um imposto ou uma taxa.

Só na cabeça de alguns iluminados houve esse momento de ilusão. A realidade, infelizmente, é outra.

O suposto novo imposto a aplicar ao património imobiliário tem dado que falar, e certamente que ainda irá dar muito que falar, porque nada está claro, porque já gerou desconfiança, porque a medida não será promotora do investimento, muito pelo contrário.

A tácita foi lançar para a discussão o assunto. Ver as reacções. E, posteriormente, como gerou polémica, dizer que é cedo para se falar da matéria porque ela ainda está em estudo.

Mas então quando se aborda um novo imposto, a dias da apresentação da proposta de orçamento de estado, a matéria não está já suficiente bem estudada? Não está já acordada com os “parceiros” a sua implementação? Não se sabe quem irá atingir e como irão ser atingidos?

É tudo pela rama.

O que é estranho é que o imobiliário estava em franca recuperação após ter sido fortemente atingido pela crise. E os que investiram em imobiliário fizeram-no no pressuposto de condições que o Estado se apressa, desde logo, a alterar. Naturalmente gerando desconfiança e afastando investidores.

Como é possível apelar ao investimento, num país tão necessitado de investidores, quando os tratamos desta forma.

Continuamos na mesma. Este país não aprende. A estabilidade do sector fiscal é de capital importância. O problema é que agora o regime fiscal é agravado por uma forte carga ideológica. E dá no que dá.

Se queremos ter mais riqueza e distribuir essa riqueza, é essencial crescer economicamente. Crescer forte, não através de miseráveis taxas, que é o que nos oferecem.

Mas este não terá sido o único caso que merece reparos.

O dossier Caixa Geral de Depósitos contínua inexplicável.

O início do ano lectivo correu como no ano passado, nem melhor nem pior. Na mesma. Viram-se melhoras onde não as houve.

Até para a semana

Rui Mendes

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