Prioridades europeias

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 01 Julho 2022
Prioridades europeias
  • Rui Mendes

 

 

Esta semana foi intensíssima para as lideranças europeias.

Iniciou-se com a cimeira do G7, que reuniu durante três dias, na região dos Alpes da Baviera, os líderes dos sete países mais industrializados do mundo e onde estiveram também a Presidente da Comissão Europeia e o Presidente do Conselho Europeu. Reunião que teve por objetivo estabelecer limites de preço para o petróleo e gás, também a definição de novos apoios à Ucrânia para que esta possa suportar todo o esforço de guerra, pretendendo o G7 pressionar a Rússia, para que perceba que a guerra que iniciou também lhe irá causar brutais custos. Custos de toda a natureza.

Seguiu-se a cimeira da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) que reuniu em Madrid os seus 30 Estados-membros e na qual foi dado mais um passo no sentido de aceitar a Finlândia e a Suécia como novos membros, após a concordância da Turquia, que seria o único Estado-membro que levantou objeções. Cimeira que abriu também espaço para que outros novos membros possam ser recebidos pela NATO. Cimeira que determinou o fortalecimento militar de toda a estrutura da NATO na Europa. Alterações que acontecem em consequência da invasão da Ucrânia pela Rússia.

Portugal veio a acolher outros dos encontros.

Sintra recebeu o Fórum do Banco Central Europeu (BCE).

Lisboa acolheu a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas.

O Fórum do Banco Central Europeu esteve especialmente focado na necessidade do controlo da inflação que assume enorme preocupação em todos os países europeus, tendo Portugal atingido uma inflação de 8,7% no mês de junho, inflação que tem vindo em crescendo e que se pretende que, na zona euro, não venha a superar os 2%, referindo a Presidente do BCE que tudo será feito para que na zona euro a inflação tenha como limite os 2%. É fundamental controlar os altos níveis de inflação, mas estejamos atentos às medidas que irão ser tomadas e aos seus efeitos na vida de cada cidadão.

Já a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas tem decorrido com plenários e debates sobre os problemas dos oceanos, alguns deles suficientemente debatidos, e em que governos e opinião pública têm esse conhecimento. Contudo, sucessivamente adiam-se medidas e alargam-se prazos, pelo que os problemas dos oceanos não diminuem.

A invasão da Ucrânia veio alterar prioridades. É o tempo do reforço militar da Europa, dos países aumentarem os gastos em defesa, de assegurar novas fontes de energia, de mostrar solidariedade com a Ucrânia.

O efeito da invasão da Ucrânia foi, desde logo, a coesão dos blocos a ocidente, União Europeia e NATO, e essa maior coesão será acompanhada pelo crescimento destes blocos por novos membros.

Também a alteração de prioridades, o foco das lideranças é a guerra e as suas consequências, a conferência sobre os oceanos mostra bem que os oceanos, lamentavelmente, não serão uma das principais preocupações dos Governos, desde logo porque esta conferência foi ofuscada por todas as outras reuniões que decorreram no período e porque, mais uma vez, os resultados práticos serão mínimos.

 

Até para a semana

 

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