70 anos de República Popular da China

Nota à la Minuta
Terça-feira, 01 Outubro 2019
70 anos de República Popular da China
  • Alberto Magalhães

 

 

Há 70 anos, a 1 de Outubro de 1949, Mao Zedong proclamava a República Popular da China. Vinte e oito anos após a sua fundação, expulsos os japoneses e encurraladas as tropas nacionalistas de Chiang Kai-chek em Taiwan, o Partido Comunista Chinês tomava o poder no imenso país asiático. Até à morte de Mao, em 1976, dezenas de milhões de chineses morreriam em purgas violentas, fomes terríveis provocadas pela colectivização da agricultura e trabalhos forçados em campos de “reeducação”.

A partir daí, sob a batuta inteligente de Deng Xiaoping, ele próprio uma vítima do caos provocado pela Revolução Cultural, a China enveredou por um caminho misto de capitalismo de Estado e de estímulo à iniciativa privada. Centenas de milhões de chineses ascenderam à classe média graças a um crescimento económico galopante; a China foi aceite na Organização Mundial de Comércio; atraíu tecnologia industrial de ponta, graças a mão-de-obra barata; pirateou know-how; acumulou divisas e tornou-se um gigante económico incontornável.

Durante décadas, interna e externamente, foram-se alimentando esperanças de que, a par do desenvolvimento económico, o sistema político se iria liberalizando e democratizando. A ascenção de Xi Jinping, concentrando em si mais poder que o camarada Mao; o aumento da vigilância sobre os cidadãos, utilizando tecnologias de informação capazes de fazer corar de inveja o Big Brother orweliano; a cada vez mais indisfarçada ambição de se tornar a potência dominante no século XXI, sem desistir do sistema de partido único, vêm desfazendo as ilusões. Hong Kong deveria ser considerado um sério aviso para os países onde o capital chinês tem penetrado.

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