A alternativa já está em marcha

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 18 Março 2024
A alternativa já está em marcha
  • Bruno Martins

A direita ganhou as eleições. Sobre condições para uma governação estável pouco sabemos e, calculo, que pouco saberemos nos próximos meses.
A verdade é que os partidos que ocuparam o governo nos últimos cinquenta anos atingiram o seu mínimo histórico nestas eleições. O povo está cansado e desiludido. Como não estar? Quando falta a casa ou ela fica quase impossível de pagar, quando o salário não chega ao fim do mês, quando na escola faltam professores e auxiliares ou quando no SNS falta o investimento estrutural, é natural que se instale a desesperança.
Deste cenário aproveitou-se a extrema-direita, com um discurso radicalizado que tem arrastado o centro-direita. Mas uma coisa é compreender e analisar as razões da ascensão do Chega, outra é entrar no paternalismo de dizer que temos de ter cuidado para não ofender quem votou na agremiação fascista, porque nem todos os seus eleitores são fascistas ou racistas. Não serão, mas validaram esse programa. E isso é um problema sério.
A resposta da esquerda tem de ser através da perseverança, da unidade, da luta e, principalmente, de uma alternativa séria para governar o país no futuro.
Perseverança para não sucumbir à pressão da direita e ao populismo. Unidade, como esforço real para levar o mais longe possível a ação comum de todos os setores que se opõem à ofensiva da direita. Luta, porque a profundidade das contradições que dilaceram a sociedade portuguesa vai manter aberto um conjunto de conflitos em que a esquerda tem um decisivo papel a desempenhar sob as novas circunstâncias. No plano laboral, nas causas da habitação ou da justiça climática, na defesa do SNS, na afirmação do feminismo e dos direitos LGBT, no combate ao racismo e a todas as discriminações, haverá lutas de resposta às medidas do governo da direita, bem como mobilizações para isolar a agenda da extrema-direita.
E finalmente: Alternativa, porque só com a planificação ecológica da economia e verdadeiras políticas de igualdade, só com um programa socialista de transformação do país, se cumprirá o projeto de democracia e direitos sociais que o 25 de abril inscreveu na Constituição.
Se algum fascista acha que tem a via aberta, desengane-se. Estamos cá. E impediremos o vosso avanço através da construção de uma alternativa popular e justa.
Termino com um abraço sentido à família e amigos de Alberto Magalhães que nos deixou na passada semana.

Até para a semana!

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