A Amazónia não é o pulmão do mundo

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 18 Setembro 2019
A Amazónia não é o pulmão do mundo
  • Alberto Magalhães

 

 

As inúmeras queimadas e enormes incêndios, este verão, na Amazónia, levaram a que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, ganhasse internacionalmente a alcunha de BolsoNero, numa clara alusão ao imperador romano que terá incendiado Roma para abrir espaço aos seus projectos imobiliários.

Como já vem sendo hábito, também neste caso as paixões ambientalistas se sobrepuseram ao discernimento racional e o conhecimento científico foi alvo de simplificação e adulteração. O presidente francês Emmanuel Macron foi rápido a aproveitar o fogo, para se tornar o campeão da Amazónia e da ecologia planetária. – O pulmão do planeta, que produz 20% do oxigénio da atmosfera, está em chamas, proclamou.

Ora, por muito que detestemos Bolsonaro – e é o meu caso – manda a verdade que se diga que os dados do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial brasileiro, obtidos pelo satélite Amazonia – 1, revelam que os maiores desmatamentos na floresta ocorreram entre 2005 e 2010, no tempo do presidente Lula da Silva.

Mais, o pulmão do mundo mora nos oceanos, é sobretudo o fitoplâncton, conjunto imenso de algas microscópicas que, elas sim, produzirão cerca de 70% do oxigénio atmosférico. A floresta amazónica apenas produz 6% a 9% do precioso gás que, ainda por cima, ela se encarrega de consumir quase totalmente. A Amazónia é muito importante pela vida que abriga, não pelo oxigénio que produz.

Defender o ambiente sim, mas com um módico de verdade, por favor.

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