A Árvore das Patacas

Nota à la Minuta
Terça-feira, 13 Outubro 2020
A Árvore das Patacas
  • Alberto Magalhães

 

 

O Governo português entregou, ontem, a sua proposta de Orçamento para 2021 e ainda não houve tempo para o digerir. O ministro das Finanças, João Leão, apresentou-o insistentemente como um “bom orçamento” e, se me está a ouvir depois das nove da manhã, poderá saber já mais pormenores, prometida que está, por ele, uma conferência de imprensa para essa hora. Uma coisa é certa: o documento foi entregue sem que PCP e BE se tivessem comprometido a viabilizá-lo quando for votado, a 28 deste mês e, muito menos, aquando da votação global final, marcada para 27 de Novembro.

Até lá, o teatro está montado. Linhas vermelhas atrás de linhas vermelhas, bloquistas e comunistas aparentam acreditar que podem obrigar o PS a aplicar na governação, não o seu programa, mas o deles. Como se esquecessem que, nas últimas legislativas o BE obteve 10% dos votos e o PCP conseguiu, com a ajuda dos seus Verdes cerca de 6,5%. Mais, as últimas sondagens não melhoram estes números, antes pelo contrário. Portanto, depois de meses de negociações, depois de António Costa acolher várias das suas exigências, talvez mesmo mais do que devia, atreverem-se a repetir a graça de votarem com a direita a queda do Governo, só o posso conceber como pulsão suicida, que não diagnostico em Catarina Martins, nem em Jerónimo de Sousa.

Quando era miúdo e pedia brinquedos demasiado caros, a minha mãe remetia-me para a árvore das patacas, ausente do nosso quintal. Quando ouço certas exigências esquerdistas, fico sempre na dúvida: acreditam mesmo na árvore das patacas, ou simplesmente querem desconstruir o capitalismo a pontapé?

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