A ascensão de Rui Rio

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 20 Dezembro 2021
A ascensão de Rui Rio
  • Alberto Magalhães

Ao contrário do que sucedeu em 2019, quando a vitória do PS facilmente se adivinhava, e do que era igualmente anunciado por todas as sondagens até Rui Rio ganhar as directas no PSD, as eleições legislativas de Janeiro prometem ser bem renhidas, com as mais recentes sondagens a mostrarem uma tendência para a aproximação entre os dois maiores partidos.

A força de Rui Rio, parece-me, funda-se em dois factores que vão ao arrepio do que tem sido a tradição política portuguesa, pelo menos desde o dealbar do século XXI, um muito pessoal e outro de posicionamento político.

Em primeiro lugar, uma atitude manifestamente espontânea, não tacticista, nas suas declarações públicas, quer em entrevistas, quer em declarações pontuais aos jornalistas, a quem, diga-se, não teme apontar erros e maus procedimentos. Esta postura, tende a provocar uma percepção de autenticidade, de ausência de segundas intenções, rara num tempo de marketing político e de mistificações.

Em termos políticos, a sua teimosia em recolocar o PSD na disputa com o PS pelos votos do centro flutuante, esperando que a percepção de possível sucesso convença os eleitores de direita a votar nele, parece estar agora a dar frutos. Acresce que, para mais, Rui Rio não se limita a seguir esta estratégia: anuncia-a com todas as letras, sem medo de assustar eleitores com a sua radical moderação.

Se juntarmos a isto o cansaço dos eleitores em relação a um governo que foi acumulando problemas e casos sem refrescamento algum e com a hipótese, não negada pelo PS, de renovar um entendimento com a extrema-esquerda, são previsíveis momentos de suspense na noite eleitoral. Antes disso, uma campanha em tempo de paranoia pandémica, praticamente reduzida aos debates na comunicação social.

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