A brisa dos deuses

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 14 Dezembro 2022
A brisa dos deuses
  • Maria Paula Pita

 

No passado dia 07 de dezembro, Évora foi bafejada com a brisa dos deuses. Ganhou a candidatura e, em 2027, será a Capital Europeia da Cultura.

Muito já foi dito sobre a bondade da nossa candidatura, mas havia alguma previsibilidade na escolha. O norte já tinha sido bafejado com Porto e Guimarães e Angra do Heroísmo, pela sua insularidade, provavelmente, não terá capacidade para receber milhares/milhões de visitantes que se almejam num evento destes. 

Atenção, acredito que Évora ganhou por mérito próprio. Todos falam na excelência da coordenadora da equipa de missão da candidatura de Évora a Capital Europeia da Cultura, Paula Mota Garcia e o tema da candidatura Vagar é um hino ao nosso modo de vida alentejano e à necessidade de todos  regressarmos a uma “filosofia lenta”. Mas para além do fantástico vídeo de promoção, que mais sabe a população do projeto? Bem sabemos que, quer pelo Regulamento Interno da competição da CEC 2027 quer pelas decisões provenientes do GEPAC (Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliações Culturais) era necessário secretismo e sigilo de forma a não entregarmos “o ouro ao bandido”. 

Apenas sabemos que Évora receberá 29 milhões de euros. Para quê? É o que todos estamos ansiosos por saber.

Ser Capital Europeia da Cultura é quase a derradeira oportunidade de transformar o território. Não é uma promoção turística. É criar uma nova dinâmica para a cidade, afastar-se de uma certa tacanhez que a envolve, desenvolver condições para fixação de pessoas e melhorar a imagem que os eborenses têm da cidade. É aproveitar para reabilitar o Centro Histórico, adequá-lo ao século XXI, sem perder a sua identidade. É tornar toda a cidade num espaço de inclusão e sustentabilidade. Mas é também desenvolver a consciência de pertença a um espaço cultural europeu, aprender sobre outras culturas, sublinhando o papel da cultura no desenvolvimento das cidades, colocando Évora e o vagar alentejano no circuito nacional e internacional, incluindo o setor artístico e cultural.

Dezembro, mês de Natal, embora na nossa cidade, pouco se faça sentir. O Jardim de Natal, abandonado, pela intempérie ou pela falta de visão de quem o planeou. Salva-se a pista de gelo. Colocam-se decorações em pleno fim de semana. Pergunto-me, quem terá tido esta ideia? Será falta de organização, de planeamento ou incompetência? Razão tem o MCE. Há que CUIDAR da casa. Esta deve ser a prioridade. 

Inebriados  pela vitória e pelo espírito natalício, vamos então com VAGAR, celebrar. Começaram os almoços e os jantares de Natal. O MCE já fez o seu. Desejamos, por isso, uma época festiva, vivida com VAGAR e comedimento, sob pena de em janeiro estarmos um pouquinho mais cheios.. 

 

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