A Caixa de Pandora aberta na União

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 11 Maio 2020
A Caixa de Pandora aberta na União
  • Alberto Magalhães

 

 

No dia 8 de Maio de 1945, fez na sexta-feira 75 anos, a Alemanha nazi rendeu-se incondicionalmente às forças aliadas. Cinco anos depois, a 9 de Maio, lançava-se a primeira pedra do que viria a ser a União Europeia. Apesar da bênção de 70 anos de paz e relativa prosperidade, esta geringonça burocrática, a quem as nações europeias confiaram parte da sua soberania, está mais longe de realizar os seus ideais fundadores, do que já esteve.

A Hungria e a Polónia escorregam, cada vez mais depressa, para longe da democracia, sem que a Europa mostre a fibra necessária para pôr na ordem dois membros que, sendo dos que mais beneficiam financeiramente dos fundos europeus, nem por isso se mostram dispostos a cumprir as regras dos tratados.

A Holanda reforça a atitude eticamente ronhosa do agiota que já deu para o peditório dos pelintras do Sul, enquanto mete ao bolso os impostos das empresas que de lá vêm.

A Alemanha, que se reergueu com a ajuda das democracias vencedoras, que se unificou em democracia com o aval dos companheiros da União, falhou na crise financeira de há uma década atrás, com uma líder incapaz de um gesto de grandeza solidária. Agora, é o Tribunal Constitucional alemão que já se atreve a pôr em causa a independência do BCE e a tentar sobrepor-se ao Tribunal de Justiça da União Europeia, na interpretação dos poderes do BCE.

A Presidente da Comissão, a senhora Von der Leyen, apesar de alemã, não gostou nada deste ataque às instituições europeias, até porque abre um precedente para outros tribunais nacionais, ou seja, se não for travado com vigor, abrirá uma autêntica Caixa de Pandora jurídica, a juntar à cacofonia política já em curso.

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