A Câmara dos Comuns no seu labirinto

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 28 Março 2019
A Câmara dos Comuns no seu labirinto
  • Alberto Magalhães

 

 

Desta vez, se o Parlamento britânico surpreendeu, foi por se manter igual a si próprio. Ontem, depois de rejeitar todas as hipóteses apresentadas pelo governo de Theresa May e de chamar a si a tarefa de encontrar uma solução para o Brexit, a Câmara dos Comuns, votou oito alternativas e chumbou-as todas. Chumbou uma saída sem acordo, chumbou a obrigatoriedade de um acordo para sair, chumbou um segundo referendo, chumbou um acordo do tipo do da Noruega… enfim, igual a si próprio, voltou a dizer o que não quer, sem que consigamos descortinar o que pretende afinal.

Entretanto, a primeira-ministra reuniu-se com os deputados do seu partido, que tantas derrotas lhe deram já, e prometeu que deixaria de maçá-los com a sua brilhante liderança, caso condescendessem em aprovar o acordo que, por duas vezes, já chumbaram. A manobra conseguiu o apoio de alguns vira-casacas mas, provavelmente, não os suficientes para obter êxito no final. Refira-se que entre os que se mostraram capazes de mudar o sentido de voto, só para a ver pelas costas, se conta o desavergonhado Boris Johnson, que abandonou o governo de May clamando que o acordo, que agora se mostra pronto a aprovar, era “um colete de bombas amarrado à Constituição”.

Mas mesmo que May obtenha a necessária maioria – o que é muito duvidoso – ainda terá de ultrapassar a irredutibilidade do speaker, do presidente do Parlamento, John Bercow, que voltou a avisar que não porá o acordo a votos pela terceira vez, sem que ele sofra alteração significativa.

Numa coisa conseguiram os Comuns entender-se: o Brexit não será amanhã. A tragicomédia segue dentro de momentos.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com