A censura dos mentirosos

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 23 Novembro 2020
A censura dos mentirosos
  • Alberto Magalhães

 

 

Volto ao tema da liberdade de expressão dos mentirosos, à boleia do novo provedor do leitor do jornal Público, José Manuel Barata-Feyo, que no sábado se referiu ao corte que as três maiores cadeias de TV norte-americanas (CBS, ABC e NBC) fizeram ao discurso, em directo, do ainda Presidente Trump, na noite das eleições, com a alegação de que ele mentia. Barata-Feyo dá conta do embaraço com que o jornalismo europeu se inibiu de tomar posição sobre o acto de censura. Concordo, em absoluto, com ele, quando defende que Trump tinha o direito de falar e os cidadãos o direito de o ouvir.

Aliás, já em notas anteriores coloquei em questão a legitimidade do Facebook ou do Twitter para decidir por nós o que é verdade e o que é mentira e sim, também me custa ver a quantidade de vendedores de “banha de cobra”, de “terapias holísticas” e teorias da conspiração que inundam as mesmas redes sociais.

Cá por casa, foi muito comentada a multa de 438,81 euros aplicada a André Ventura, pela Comissão para a Igualdade e contra a discriminação Racial, por, alegadamente, “discriminar” ciganos no Facebook, em Agosto passado. Fui ver. Disse ele duas coisas: 1º “quase 90% da comunidade cigana vive de “outras coisas” que não o seu próprio trabalho”; 2º “que há aqui um problema estrutural de subsidiodependência e de não integração deliberada”. Em 2017, dei aqui nota de um estudo que mostrava que cerca de 35% da comunidade cigana trabalhava. Ou seja, só aqui os 90% do Ventura se reduzem, no máximo a 65%. Esse estudo mostrava também que cerca de 35% recebia RSI, o que, convenhamos, denota alguma dependência deste subsídio de uma boa parte da comunidade.

Conclusão, os 438,81 euros de multa, se Ventura os pagar, serão um preço barato para a publicidade que a Comissão anti-racista lhe deu ao multá-lo.

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