A CGD de 2017

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 05 Maio 2017
A CGD de 2017
  • Rui Mendes

 

 

Como comentário à crónica da passada sexta-feira alguém me referiu que a CGD não poderá atender a interesses particulares ou locais, devendo agir segundo o seu plano de reestruturação, para que o actual Conselho de Administração não venha a invocar influências ou razões externas, caso os resultados não sejam os esperados, e para que seja responsabilizado pela sua gestão.

Mas vejamos.

A recapitalização da CGD resulta de um processo que obteve a aprovação da Comissão Europeia, e que estabelece, entre outros, um plano de redução de trabalhadores e de agências, pelo que o actual Conselho de Administração terá que o fazer cumprir. E este Conselho de Administração estará bem ciente do trabalho que terá que realizar.

Mas este processo tem um forte cunho politico.

Não pela CGD ser uma instituição pública. Mas especialmente por todo o percurso que a CGD trilhou nos últimos anos e pelo apoio financeiro público que tem recebido, e também porque os membros do Conselho de Administração são escolha governativa, e porque quer o plano de reestruturação, quer a consequente recapitalização tiveram o inevitável apoio do governo.

E este apoio é extensível a todos os partidos que apoiam o governo.

A recapitalização pressupõe o apoio ao plano de reestruturação, em todas as suas vertentes, incluindo a redução de trabalhadores ou o encerramento de agências, e a confiança nos escolhidos para aplicarem o plano.

Pelo que, todos os partidos que apoiam o actual governo terão a necessária parte de responsabilidade nas decisões que forem sendo tomadas, ainda que se queiram distanciar da aplicação das medidas que traduzam natural e compreensível desagrado, como é o caso do encerramento de agências.

Mas a CGD terá que estar em permanente escrutínio público.

E esse controlo público será um factor que trará ganhos à própria CGD, pois obriga a maior transparência.

É que de alguma forma todos nós contribuintes somos accionistas da CGD.

E por isso deveremos exigir que a CGD sirva o país, estando presente no território onde necessário, e que execute o seu papel de apoio à economia das empresas e das famílias, e que necessariamente seja bem gerida.

Por alguma razão a gestão da CGD desde 2000 encontra-se a ser avaliada.

E não nos esqueçamos que a CGD é um banco público, e ainda que tenha que concorrer em condições de mercado com os demais bancos, a missão das instituições públicas é diferente das privadas.

Até para a semana

Rui Mendes

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