A Champions e a Pandemia

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 19 Junho 2020
A Champions e a Pandemia
  • Alberto Magalhães

 

 

Esta semana, o entusiasmo com a realização da fase final da Champions, em Agosto português, foi tão impressionante que chegou a ser inquietante. A nossa DGS, Dr.ª Graça Freitas, foi clara na 4ª feira, à hora do almoço: “desejo ardentemente que Portugal seja escolhido”. Tão ardente foi o seu desejo que, nem uma hora decorrera e já a boa nova chegava: com ou sem público, Portugal já ganhou! Tudo, garante a DGS, vai ser totalmente seguro pois (vou citar) “temos o exemplo do campeonato que tem acontecido com segurança, para as equipas técnicas, jogadores e público em geral”. Sobretudo para o “público em geral”, está bom de ver.

Resta saber se o evento terá público em particular, público vindo de todas as partes em geral, o que permitiria remisturar várias estirpes do coronavírus em Lisboa e no Algarve, ou se, pelo contrário, seguirá estritamente as regras aplicadas ao campeonato português, mantendo o público em geral na segurança de suas casas e espalhados por cafés, tascas, restaurantes e centros comerciais, cumprindo, evidentemente, as regras de distanciamento e todas as outras.

Percebe-se o esforço de António Costa e de Marcelo Rebelo de Sousa, juntos a salientarem os méritos do combate português à pandemia, num evento comemorativo, de tom vincadamente populista, horas depois de chegar a boa nova. Nos últimos dias os números não têm sido famosos. Sobretudo por que se tem insistido, erradamente, na estatística das infecções detectadas e não, por exemplo, no número de mortes diárias (uma, nos últimos dias) ou no número de mortes por milhão, onde Portugal está muito bem colocado no concerto das nações.

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