A ciência portuguesa

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 24 Setembro 2020
A ciência portuguesa
  • Alberto Magalhães

 

 

A ciência portuguesa já não envergonha, antes pelo contrário. Temos cada vez mais motivos para pensar que o saudoso Mariano Gago deixou obra perene de que se poderia orgulhar (e nós com ele).

Veja-se, por exemplo, a Engª Elvira Fortunato, que já nos brindara com o transístor de papel. Acaba de receber, segundo a agência Lusa, o Prémio Impacto Horizonte 2020, atribuído pela Comissão Europeia, pela criação do primeiro ecrã transparente, a partir do óxido de zinco, um semi-condutor de baixo custo e eco-sustentável. Esta tecnologia, patenteada pelo Centro de Investigação de Materiais da Universidade Nova e pela Samsung, aplica-se a telemóveis, tablets, televisores e computadores, e representou, segundo a investigadora, “uma revolução na área dos materiais semi-condutores.

Entretanto, em Coimbra, outro consórcio, formado pela Universidade, o Centro Hospitalar, a empresa coimbrã LaserLeap (que coordena o projecto) e a empresa canadiana Ondine Biomedical, líder mundial na foto-desinfecção antibacteriana, tenta, ainda segundo a Lusa, adaptar esta tecnologia à eliminação do coronavírus “logo na [sua] principal ‘porta de entrada’ no organismo”, as fossas nasais, onde, na primeira fase da infecção, se desenvolve um reservatório do vírus responsável pela generalização da infecção e sua transmissão. O objectivo é conseguir que, através da inactivação do vírus pela terapia fotodinâmica, se consiga evitar as formas mais graves de covid-19 e impedir a propagação da pandemia. A tecnologia já é usada em todo o mundo para eliminar bactérias multi-resistentes e seria muito bom que, em Coimbra, nascesse a sua versão anti-viral.

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