A coesão do país e a dimensão do governo

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 15 Dezembro 2021
A coesão do país e a dimensão do governo
  • Alberto Magalhães

 

 

A ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, falando na cerimónia evocativa dos 20 anos do Douro Património Mundial, que decorreu em Lamego, teve um desabafo impressionante (e cito): “eu faço parte de um dos Governos mais centralistas que o nosso país já teve”; e acrescentou: “o nosso primeiro-ministro reconhece isso”; e acrescentou ter travado “esta batalha de dois anos no Governo, sem exército”; e disse mais: “O que o Douro e todo o território tem que reclamar é um Estado menos centralista, e que no Governo, no Conselho de Ministros tenhamos mais país”; e terminou: “Basta pensar que o Instituto da Vinha e do Vinho tem sede em Lisboa, não há nada mais anacrónico, confesso a minha derrota”.

Ao ler isto, ontem, no Expresso online, tive vontade de dizer à ministra que não me chegaram ecos da sua luta, mas se o nosso primeiro-ministro já reconhece o excesso de Terreiro do Paço, fico contente. Mas com pena que o Governo tenha de acabar, para tudo isto ser dito e reconhecido.

Também fiquei assim, com um misto de satisfação e tristeza, quando ouvi António Costa garantir que, se ganhar as eleições tenciona formar um Governo “mais curto e ágil”. Aliás parece que a remodelação que estava prevista para depois do Verão e adiada com o chumbo do OGE no Outono, já tinha o emagrecimento do executivo na mira. Dezanove ministérios e 50 secretarias de Estado é realmente um exagero. Ainda se estivessem espalhadas pelo país, lutando pela coesão ao lado da ministra Abrunhosa…

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