A conquista da liberdade

Crónica de Opinião
Terça-feira, 09 Abril 2024
A conquista da liberdade
  • Ananias Quintano

Bom dia

Sendo a minha primeira intervenção, agradeço à Diana FM o convite para integrar o leque de comentadores do programa “Crónicas de Opinião”.
Aceitei o convite, sabendo que é de uma enorme responsabilidade, pois os intervenientes no programa já habituaram a audiência da Diana FM a crónicas de qualidade.

Não poderia começar de outra forma senão comentando aquele que foi, do meu ponto de vista, o maior acontecimento do século vinte para a quase totalidade dos portugueses: a conquista da liberdade.
Foi há 50 anos que o nosso país se libertou da mordaça que o Estado Novo lhe impôs.
No entanto, lamento que ainda haja muitos portugueses que não percebem o que está em causa. Basta olhar para os últimos resultados eleitorais.
E o que está em causa é cada um poder expressar as suas ideias, criticar quando for caso disso, ter liberdade de circulação, além de outras liberdades básicas.
A minha preocupação é ainda maior, porque ao longo destes anos os programas das escolas foram dando cada vez menos importância ao 25 de abril e, por isso, para as gerações pós 25 de abril a data é apenas um feriado nacional, por enquanto e sublinho por enquanto.

Dizer aos jovens dos últimos 15 ou 20 anos que não se podia estar na Praça de Giraldo até quando apetecesse, que rapazes e raparigas eram separados nas escolas, que as mulheres tinham que ser autorizadas pelos maridos para atos banais, que o serviço militar era obrigatório e quem não fugisse para fora do país ia para a guerra, que havia perseguição às pessoas que não aceitassem o regime e, que, por outro lado, o acesso à saúde e à educação não era para todos e que o país tinha 80% de analfabetos.
Ao dizer-lhes tudo isto tenho sempre a sensação que eles olham para mim como se eu estivesse a contar-lhes uma história de ficção.

Vão sendo cada vez menos as pessoas que sabem como era viver no país antes do 25 de abril e essas, com toda a certeza, não querem voltar a viver aquele pesadelo. Infelizmente, o fato de aos mais novos não ter sido passada a fotografia clara do país antes do 25 de abril ficou, no meu entender, bem refletido nos últimos resultados eleitorais.

Convém lembrar os mais distraídos que Hitler foi eleito em democracia e por votos de descontentamento, e depois sabemos o resto da história.

Como sempre, só damos valor às coisas que temos quando as deixamos de ter. Isto aplica-se na perfeição à liberdade.

Bom dia e até para a semana.

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