A Construção de um Orçamento

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 15 Outubro 2021
A Construção de um Orçamento
  • Alberto Magalhães

A mini-série “A Construção de um Orçamento” segue, por enquanto, o rumo previsto. No primeiro episódio, António pede a João que apresente um projecto de OE, que Mariana definirá como sendo claramente de esquerda. Jerónimo e Catarina recusam-se a concordar e mostram-se zangados, embora dispostos a negociar, se António estiver disposto a ceder. Este, já contava com isso e mandara uma versão do OE já preparada para acomodar várias exigências dos parceiros, permitindo-lhes salvar a face junto dos seus eleitores.

No segundo episódio, Jerónimo e Catarina mostram-se ainda insatisfeitos e querem mais. António, de mansinho, queixa-se de que não pode ser só ele a ceder. O clima de tensão torna-se manifesto pela intervenção de Marcelo, que ameaça com a bomba atómica se o OE for chumbado na Assembleia. Haverá, disse ele, eleições antecipadas e os dinheiros do PRR ficarão empatados e, ao contrário do acontece no futebol, aqui o empate será uma derrota do país. Nesse caso, a quem se deverá atribuir a culpa? Às esquerdas, incapazes de acordo, está claro.

Entretanto, ficamos a saber que, há dois anos não é publicado decreto-lei de execução orçamental, ou seja, João Leão não informa o país do dinheiro que foi, efectivamente, recebido e gasto pelo Estado, em 2019 e 2020, de onde veio e onde foi aplicado. Num artigo saído hoje no Público, a economista Susana Peralta explica-nos também, entre outras coisas importantes, que a Lei das Grandes Opções que deveria ter sido debatida em Abril, ainda não o foi (por sucessivos pedidos de adiamento do PS), estando o Orçamento a ser construído pelo telhado, sem ter sido aprovada a sua base.

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