A crise à direita

Nota à la Minuta
Terça-feira, 02 Fevereiro 2021
A crise à direita
  • Alberto Magalhães

 

 

A situação portuguesa é muito preocupante. Não é demais dizê-lo de novo, É preocupante do ponto de vista pandémico, é preocupante do ponto de vista económico-social e está a tornar-se muito preocupante do ponto de vista político. Vejamos hoje o enquadramento político à direita.

À direita, tivemos nos últimos anos a azia de muitos contra Marcelo, acusado de facilitar a vida ao governo geringonceiro e de se colar demais a António Costa nesta pandemia; tivemos a teimosia de Rui Rio, em querer colocar o PSD no centro-esquerda – onde só esteve em teoria e apenas nos primeiros anos após a queda do Estado Novo – criando um vazio à sua direita; vazio não aproveitado pelo CDS, que embarcou na escolha de um líder como o Chicão, sem um mínimo de carisma e capaz de exclamar, depois de uma sondagem dar ao partido 0,3% de intenções de voto, “não se convocam eleições no CDS por dá cá aquela palha”.

Tivemos também a acção política de André Ventura, aproveitando o vazio deixado por PSD e CDS, mas também a incapacidade da esquerda radical e de Ferro Rodrigues em resistir a provocações bem estudadas, além do cansaço de muita gente face a temas fracturantes e a um regime cada vez mais oligárquico. Tacticista por excelência, António Costa achou que tinha graça juntar-se ao coro antifascista e tornar André Ventura a estrela da companhia, aumentando-lhe a votação o suficiente para que as coligações à direita sejam quase impossíveis para Rui Rio que, nas próximas legislativas, terá de responder mil vezes se, caso precise, negociará o apoio do Chega para governar. Resta a Iniciativa Liberal, que pode crescer no futuro, mas não o suficiente para, nas próximas legislativas, facilitar a vida ao PSD.

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