A crise à direita

Nota à la Minuta
Terça-feira, 29 Setembro 2020
A crise à direita
  • Alberto Magalhães

 

 

Dizer que Francisco Rodrigues dos Santos, nos oito meses que leva na liderança do CDS, tem desiludido as expectativas, é dizer pouco. Considerado, em 2018, um dos “30 jovens mais brilhantes, inovadores e influentes da Europa” na área do Direito pela revista Forbes, o jovem líder não consegue livrar-se de uma imagem de imaturidade que se lhe colou à pele. Olhamos para o Chicão a falar com os media e não o imaginamos ministro, vemo-lo sim numa RGA da Universidade ou numa reunião da Juventude Popular.

O ex-ministro Pires de Lima, apupado no Congresso que elegeu Francisco, escreveu este mês no Expresso que (e cito) “O peso político e a capacidade de liderança não se inventam” e que “cadelas apressadas parem filhos cegos” e termina, epitafial, “O CDS faz muita falta à democracia portuguesa e não devia acabar assim”. Dias depois, uma sondagem para a TSF e o JN, tornava Pires de Lima oracular, pondo o CDS em último lugar, atrás do Livre imagine-se, contando com a intenção de voto de 1,1% dos eleitores.

Sabendo-se que a Iniciativa Liberal, na mesma sondagem, obteve os favores de 2,6% e que o Chega subiu de 5,3% para 6,8%, imagine-se o estado de espírito de Rui Rio, com o PSD a descer 3 pontos, para cerca de 24%. É certo que o Partido Socialista também desce 3 pontos, mas, ainda assim, mantendo uma vantagem de quase 14 pontos percentuais sobre o principal partido da oposição.

Também é certo que a conjuntura é grave e que a situação do Governo pode, a médio prazo, ser bastante afectada. Mas, para já, a míngua de votos à direita não motiva Rui Rio a desejar um chumbo do Orçamento. Ainda bem.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com