A crise de refugiados e migrantes

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 04 Março 2020
A crise de refugiados e migrantes
  • Alberto Magalhães

 

 

A pergunta que fiz na 2ª feira (“por que querem os refugiados vir para a Europa?”), era retórica e destinava-se a chamar a atenção para o óbvio: em declínio aparentemente semelhante ao do Império Romano, há 1500 anos atrás, a Europa mantém um poder de atracção sobre os povos da sua periferia só ultrapassado pelo dos EUA.

A anarquia na Líbia pós-Kadhafi, a guerra na Síria, onde se cruzaram monstruosidades como o Estado Islâmico e o Presidente Bashar al-Assad e potências pouco recomendáveis como a Rússia de Putin, a Turquia de Erdogan e o Irão dos ayatollah, para não falar da péssima governação de grande parte da África, têm provocado fluxos migratórios e de refugiados, absolutamente avassaladores. A inépcia das lideranças europeias, os erros geoestratégicos que vêem cometendo há dezenas de anos e o complexo de culpa pelo domínio histórico do homem branco, têm ajudado à festa.

Faço então outra pergunta, igualmente óbvia, mas raramente feita: por que motivo a União Europeia continua sem distribuir equitativamente os refugiados que a ela chegam, sobrecarregando demasiado italianos e gregos que, ainda por cima, são criticados e insultados quando resolvem dizer ‘basta’?

Mas, imagino-me a fazer ainda outra pergunta: em tempos de globalização, não poderiam as Nações Unidas providenciar a partilha equitativa e racional dos refugiados por uma quantidade de outros países, repartindo melhor o esforço de acolhimento?

Perguntas ingénuas, certamente.

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