A culpa é patriarcal

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 15 Março 2021
A culpa é patriarcal
  • Alberto Magalhães

 

 

Sarah Everard, profissional de marketing de 33 anos, esteve com amigos, em casa de um deles, no sul de Londres. Às nove da noite, resolveu voltar a sua casa, a pé, num percurso de 50 minutos, pouco frequentado. Durante a caminhada, falou 15 minutos, até perto das nove e meia, com o namorado, segundo uma notícia do Público de dia 12, ou o marido, segundo o mesmo jornal do dia anterior. Nunca mais foi vista até ser encontrada, sem vida, na floresta de Kent, a 90 km da casa da vítima, mas, ao que parece, perto da casa do polícia suspeito de a ter raptado e assassinado.

O caso de Sarah veio desencadear uma onda de revolta sobre a violência contra as mulheres”, lê-se numa das notícias do Público. Eu diria diferente: – O caso de Sarah foi aproveitado por activistas anti-patriarcado estrutural, para se manifestarem contra o ‘poder masculino’. Até a duquesa de Cambridge, Kate Middleton, aproveitou para aparecer, mostrando assim que não é nada racista, antes muito feminista.

Por hoje, quero lamentar, em primeiro lugar, o homicídio da jovem. Depois, conjecturar que muito devem estar a sofrer o namorado, barra, marido, mas também os amigos com quem ela esteve. Os remorsos de a terem deixado ir para casa sozinha e de nenhum se ter oferecido para a acompanhar ou ir buscar, devem ser demolidores. Por fim, quero questionar a ideia de que é possível, com muitas e profundas reformas da polícia e das mentalidades, chegar a uma sociedade onde as mulheres (e já agora, por que não os homens?) possam andar na rua, à noite, nos subúrbios de uma grande cidade, com risco zero de serem assaltadas, raptadas ou assassinadas. Estarei a cometer aquele terrível pecado chamado ‘culpar a vítima’? Não creio. É apenas uma questão de bom senso.

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