A declaração energética de Matos Fernandes

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 31 Janeiro 2019
A declaração energética de Matos Fernandes
  • Alberto Magalhães

 

 

Quem me ouvir esta semana poderá ficar com a impressão de que tenho como alvo preferencial de crítica e repúdio o governo do país. Não é assim. Foi com mágoa que desanquei, anteontem, no Ministro da Ciência e do Ensino Superior, a propósito das “propinas do senhor Heitor” e é com pena que tenho hoje de me queixar da falta de bom senso do ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes.

Qual activista da Associação Zero (nome muito adequado ao caso), o ministro resolveu declarar a morte do carro a gasóleo, anúncio, tudo o indica, muitissímo prematuro e ainda mais inconveniente.

Prematuro porque, com os avanços tecnológicos no diesel e os custos das alternativas, não se prevê uma transição energética nos transportes para daqui a quatro anos. Nem para daqui a 10 anos. Como acha o ministro que será produzida a electricidade necessária para pôr em movimento centenas de milhares de automóveis pseudolimpos? Onde acha o ministro que os portugueses vão arranjar, em 4 anos, o dinheiro necessário para os comprar?

A proclamação do ministro foi inconveniente porque, prematura e desnecessariamente, põe em causa o mercado de carros a diesel, inibindo os potenciais compradores. Mas também porque ameaça a Autoeuropa, uma das nossas jóias exportadoras.

Há ministros no activo empenhados em desmentir o eleitoralismo de que o seu governo tem vindo a ser acusado.

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