A demissão dos mandantes

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 22 Novembro 2023
A demissão dos mandantes
  • José Policarpo

Embora não seja meu apanágio tecer considerações a questões de natureza, eminentemente, pessoal, porém os desentendimentos entre são bento e belém ultrapassam os aspetos individuais e passam a perturbar a sadia convivência coletiva.
O poder político atual sustentou a sua base de apoio em três pilares fundamenais: Belém, São Caetano à Lapa de 2017 a 2022 e na gerigonça.
Na verdade, há muita gente conivente com o desfecho conhecido. Tivemos eleições em janeiro de 2022 e voltaremos a ter em março de 2024, quando os mandatos são de quatro anos. É normal esta instabilidade política? Não é, porém, era expectável.
O poder político demissionário teve tudo a seu favor. A demissão de parte do eleitorado. Uma oposição perdida em aspetos colaterais não conseguindo formar uma alternativa consistente, uma presidência da república “amiga” e uma economia favorável.
Contudo, o poder político atual transportou alguns dos vícios do passado. Sucederam-se inúmeras demissões por questões judiciais, os casos e os casinhos assombravam permanentemente a governação. O último ano e meio foi um tédio diário em virtude das notícias surgidas que salpicaram de nódoas a governação.
Pelo que é imperioso a classe política da esquerda à direita realizar uma profunda reflexão e encontrar soluções para que os tristes acontecimentos ocorridos não possam repetir-se. E, digo eu, as futuras escolhas terão de recair sob as premissas da responsabilidade e da competência, de contrário os populismos tomarão conta de tudo isto.

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