A democracia sob ataque

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 20 Junho 2022
A democracia sob ataque
  • Alberto Magalhães

Os resultados, ainda não definitivos, das eleições legislativas francesas dão que pensar. Macron ganhará sem maioria absoluta e precisará do acordo dos republicanos para governar. A NUPES, a Nova União Popular Ecológica e Social, encabeçada pelo trotskista Jean-Luc Mélenchon, terá um resultado confortável. A União Nacional, de Marine Le Pen, terá o seu melhor resultado de sempre, passando, provavelmente, de 8 deputados para 90. Estes resultados, sobre o pano de fundo de uma abstenção recorde de 54%, mostram que uma grande parte do eleitorado francês está sem grande paciência para a democracia representativa, apostando no alheamento ou nas propostas extremistas.

Entretanto, nos EUA, o Partido Republicano, sob a batuta de Trump, faz a União Nacional de Le Pen parecer um partido ponderado de direita moderada, tal a brutalidade das suas convicções e das suas propostas e arrisca-se a ganhar as eleições intercalares de Novembro e a eleger Trump de novo nas próximas presidenciais. Se isso acontecer, a NATO estará de novo em apuros, o destino da Ucrânia será muito mais negro do que imaginámos e o nosso futuro, o futuro da Europa, não será brilhante.

Sendo verdade que a democracia é o pior dos sistemas, com excepção de todos os outros, como se compreende a, cada vez mais óbvia, crise das democracias ocidentais? Como se compreende que cada vez mais pessoas defendam posições extremadas, intolerantes, capazes de tornar difícil ou impossível a convivência democrática?

É cada vez mais evidente que não basta aos democratas viver em democracia, precisam urgentemente de pensar em como defendê-la.

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