A desastrada comunicação de risco

Nota à la Minuta
Terça-feira, 10 Novembro 2020
A desastrada comunicação de risco
  • Alberto Magalhães

 

 

Na edição de ontem do Público, um artigo de Clara Barata cita vários especialistas que convergem numa ideia: a comunicação oficial sobre a pandemia tem sido desastrosa desde o início. Por exemplo, José Manuel Mendes, coordenador do Observatório do Risco – OSIRIS, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, diz que “aquelas conferências de imprensa não são comunicação de risco”, servem para informar a comunicação social e controlar a narrativa sobre a pandemia.

Outro exemplo, Tiago Correia, professor de Saúde Internacional e investigador do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, refere que “os cidadãos estão cansados daqueles rostos, já não acreditam naquelas imagens, naquelas vozes, naquele discurso” e diz que, para que a comunicação de risco seja eficaz, é preciso encontrar vozes que alcancem os vários públicos-alvo, porque com estas “as pessoas já desligaram”.

Quanto a mim, haveria ainda que salientar as informações erradas (a inutilidade da máscara), as medidas atrasadas (como diz o pneumologista Jaime Pina, a China, não esteve oito meses à espera para tornar as máscaras obrigatórias), os maus exemplos que se foram dando (o Avante, Fátima, Portimão) e, ultimamente, os “abanões” seguidos de recuos imediatos. Foram as feiras e, fiquei agora a saber, neste confinamento dos próximos dois fins-de-semana, nos concelhos mais atingidos, afinal as pessoas, depois das 13 horas, podem sair de casa, passear o canito, ir meter gasolina, ir à mercearia ou ao supermercado e regressar a casa após “deslocações excepcionadas”. Para além das costumeiras excepções: trabalhar, responsabilidades parentais, assistência a pessoas vulneráveis, consultas, farmácia, outros motivos de força maior inadiáveis, etc. Serão poucos os que não conseguirão arranjar um pretexto para sair e, querendo, visitar a família. Mas a hotelaria e a restauração terão enorme prejuízo. Esperemos que não seja em vão.

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