A desilusão com a democracia

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 16 Maio 2019
A desilusão com a democracia
  • Alberto Magalhães

 

 

“A democracia é a pior forma de governo, com excepção de todas as outras”. A frase, de Winston Churchill, merece ser divulgada sistematicamente, para ser discutida e usada para despertar nos jovens o desejo de exercer o seu direito de voto, quando a altura chegar.

Muitos cidadãos desiludem-se com a democracia representativa, precisamente porque – e perdoe-se-me a verdade de La Palisse – em primeiro lugar se iludem sobre ela e pedem-lhe o que ela não pode dar: um governo perfeito da cidade ou da nação, sem incompetência, engano, intriga ou corrupção. Parafraseando agora Lord Acton, se o poder corrompe, mesmo nas democracias – porque os homens não são primatas igualitários mas competitivos, imperfeitos – o poder absoluto corrompe absolutamente – sendo a grande vantagem da democracia, abrir aos cidadãos a possibilidade de – periodicamente e sem necessidade de sangrentos golpes de estado – se verem livres de maus governos.

Porquê então “a pior forma de governo”? Simplesmente porque sendo, por definição e felizmente, o governo da maioria, também sofre, automática e infelizmente, pelo facto da maioria raramente ter razão. Por isso, ao contrário da democracia iliberal reinante na Rússia, na Turquia, na Polónia ou na Hungria, ou, dito de forma mais abrangente, ao contrário da ditadura e da demagogia, na democracia tende-se a respeitar a opinião das minorias.

Também na ciência, a verdade não se encontra por plebiscito. Galileu, Darwin ou Einstein, não tiveram imediatamente o reconhecimento dos seus pares e ao Estado, mesmo democrático, não compete falar sobre a Verdade.