A dimensão da pobreza

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 08 Dezembro 2023
A dimensão da pobreza
  • Rui Mendes

O Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza foi a ocasião para ser mostrado, mais uma vez, o retrato da pobreza em Portugal.

Os números da pobreza não deixam dúvidas: 1,7 milhões de pessoas encontrava-se em 2021 em risco de pobreza, quer isto dizer que vivia com rendimento inferior a 551€ mensais.

Em 2022 aquele número cresceu em 81 mil pessoas. Ao invés de diminuir ainda aumentou.

Mas mais que duplica se não considerarmos as transferências sociais. Retirando os apoios sociais mais de 40% da população residente estaria em risco de pobreza.

Agravou-se o risco de a população empregada integrar os grupos de risco de pobreza, de exclusão social ou de pobreza monetária. Um risco real porque a dificuldade financeira das famílias tem sido agravada.

Para mais, a inflação sentida em 2022 e 2023, assim como o contínuo aumento do custo da habitação terá tido os seus efeitos nas populações mais vulneráveis.

Quer isto dizer que os anos passam, mas a percentagem de portugueses em risco de pobreza pouco ou nada se altera. Durante os 8 anos da governação de António Costa é esta a conclusão que podemos tirar.

Inicialmente, aquando do início da governação de António Costa, parecia que o combate contra a pobreza seria uma aposta dos poderes públicos. Com o tempo essa força foi-se dissipando. No final deu um flop.

Não fosse a sociedade civil a ter um papel determinante de mobilização para apoio a esta camada da população e a situação seria muito mais visível, muito mais sentida e ainda mais dramática.

António Costa prometeu-nos um país com níveis de excelência, um país em que todos teriam médico de família, um país em que em 2024 a habitação estaria ao alcance de todos, um país com uma pobreza residual. Enfim, foi prometendo….

Contudo, deixou-nos num outro país, completamente diferente daquele que prometeu aos portugueses. Em muitos setores, como a saúde, a educação, a habitação, deixa o país em situação muito pior do que a encontrou, noutras como o mar ou a coesão territorial nem se percebeu o que se pretendia.

Mas ficaram promessas, porque resultados é o que não houve.

Até para a semana

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