A doença da China

Nota à La Minuta
Segunda-feira, 28 Novembro 2022
A doença da China
  • Alberto Magalhães

A política “zero Covid”, imposta à população chinesa pelo regime de Xi Jinping, está a mostrar-se um beco sem saída. Enquanto gente de todo o mundo pode ser vista nos estádios do Qatar, sem máscara e sem distanciamento, demonstrando o alívio das medidas de contenção do vírus, na China milhões de chineses são confinados ao menor sinal de alarme, com prejuízo evidente da situação económica, da vida social das comunidades e da saúde mental das populações.

Enquanto entre nós, o confinamento mais doseado e menos obsessivo, permitiu o aparecimento de variantes menos agressivas o que, em conjunto com a vacinação exaustiva da população, levou a uma situação bem controlada da Covid-19, a política chinesa tem-se mostrado incapaz de sair de um impasse que tem transformado a vida das populações num inferno: em vez de vacinação capaz e abrangente, testes PCR a toda a hora, e confinamentos forçados por tudo e por nada.

A política “zero Covid”, que, a princípio parecia uma forma radicalmente eficiente de impedir a propagação da doença – e por isso foi motivo de orgulho nacional – está agora a mostrar-se um imbróglio capaz de atingir a reputação do, até agora, incontestado grande líder Xi Jinping. Tal como no Irão a morte de uma jovem, numa esquadra, provocou tumultos de contestação ao regime opressor dos ayathola que já duram há dois meses, também na China a faísca da Covid parece capaz de fazer vir ao de cima, embora mais timidamente, o cansaço e a irritação provocados por um regime totalitário.

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