A emergência e o Estado

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 04 Novembro 2020
A emergência e o Estado
  • José Policarpo

 

 

Ultrapassada a barreira dos 4 mil casos diários de infetados pela peste, o Estado, nomeadamente, o poder político, inclina-se para suspender alguns direitos e restringir outros. Se me perguntarem se a decisão é necessária, ou mesmo proporcional, não sei e duvido que alguém saiba. Acho que o medo e o receio, anda a toldar as mentes iluminadas.

Na verdade, a comunicação feita pelo Estado, nas pessoas da diretora geral da saúde e da ministra saúde, não é esclarecedora, nalguns casos até errática e, absolutamente, contraditória.

Por exemplo, o uso de máscara não está definido corretamente. Refiro-me, concretamente, à obrigatoriedade da utilização de máscara: “sempre que não seja possível cumprir o distanciamento físico”. Eu pergunto: nos territórios de baixa densidade, como são a maioria das vilas e cidades que compõem o Alentejo, as pessoas estão obrigadas a andar de máscara nos passeios e travessas, onde apenas se cruzam com “meia dúzia de pessoas”? Não me parece, como, também, não está corretamente explicado.

Por isso, na minha opinião e de muitos outros, a comunicação da tutela, no que respeita à pandemia, tem sido desastrosa e, não tem mais implicações negativas, porque o povo português por ser esclarecido e, na maioria das vezes, por receio e medo, não se tem comportado muito mal.

Há, todavia, exceções: todos ouvimos falar em ajustamentos de pessoas desnecessários e irresponsáveis. Mas a maior parte das pessoas tem tido um comportamento responsável e irrepreensível.

Assim, não nos tratem como crianças desmioladas, comuniquem com verdade e, sobretudo, cumpram com o vosso dever institucional: atuem prevenindo, mas para isso planifiquem. Planificar, isso sim, é uma emergência.

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