A entrevista do primeiro-ministro

Nota à la Minuta
Terça-feira, 04 Maio 2021
A entrevista do primeiro-ministro
  • Alberto Magalhães

Tem sido muito falada a entrevista de António Costa, domingo passado, ao DN, TSF e JN. Costa foi especialmente rude com o líder da oposição e Rui Rio acabou a responder-lhe também com alguma dureza. Nada que não fosse previsível, com o aproximar das eleições autárquicas. Tanto assim que as tiradas de Costa acerca de Rio, de que se destaca a do líder do PSD ser “pior do que um cata-vento, que esse, ao menos, tem pontos cardeais”, foram introduzidas pelo chefe do Governo com algum despropósito e infelicidade, visivelmente estudadas para o soundbyte.

Entrevista muito falada sim, mas quanto a substância… não se distinguiu muito de uma outra, dada ao Expresso no Verão passado, quando tratou de descartar o apoio do PSD – “o Governo acabou no dia em que a sua subsistência depender do PSD”, disse ele – com o objectivo de refazer uma réstia de geringonça que permitisse a aprovação do Orçamento de 2021. A manobra não tolheu o BE, que arriscou votar contra, mas foi suficiente para aguentar o statuo quo.

Aproveitando o acordo dos Açores e a candidatura de Susana Garcia para declarar o PSD encostado à extrema-direita, António Costa tenta, também, reconquistar apoio entre os eleitores mais ao centro, contrariando a tendência descendente das últimas sondagens. Veremos o resultado da táctica, mas, mais preocupante, é a dificuldade em vislumbrar-se uma orientação estratégica, de longo prazo, coerente e consistente, capaz de nos retirar da carruagem traseira do comboio europeu, ele próprio meio enferrujado.

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