A Escola de Centeno

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 11 Fevereiro 2021
A Escola de Centeno
  • Alberto Magalhães

 

 

Calhou ligar o televisor naquele momento. Anteontem. Em plena audição parlamentar do ministro das Finanças, João Leão. Duarte Pacheco, deputado do PSD, censurava-o por ter poupado sete mil milhões de euros orçamentados, em tempo de pandemia, sugerindo que o velho Botas Salazar teria apreciado a façanha e salientando que o BCE revelou que o apoio público à economia em Portugal é o terceiro mais baixo da Zona Euro.

Claro que João Leão rugiu em resposta: – dessas verbas, 4 mil milhões eram receitas que não entraram nos cofres do Estado e o resto não poderia mudar de rubrica, não poderia saltar de uma área para outra, onde fizesse falta. Enfim, como em muitos outros casos, a verdade andará entre uma e outra narrativa. Certo é que a despesa total feita em 2020 ficou abaixo do previsto no OGE, aprovado antes da pandemia. Como houve, entretanto, um Orçamento rectificativo, onde se previam mais gastos, a despesa prevista e não efectuada terá sido realmente enorme. João Leão evitou, quanto pôde, aumentar a dívida para cumprir orçamento. O argumento não deixa de ter valor.

Mas, para mim, a revelação deu-se quando o ministro explicou, preto no branco, aos deputados, que os valores inscritos nas rúbricas do OGE são, simplesmente, tectos máximos, que não podem ser ultrapassados. Percebi, finalmente, o segredo da geringonça, a invenção de Mário Centeno. BE, PCP, PAN, querem X milhões na rubrica Y e na rubrica Z, muito bem! Já lá estão. Pois agora se percebe, claramente, que estão lá mas cativos, não são para gastar. Brilhante. Resta saber se “no poupar é que está o ganho” ou se, pelo contrário, “o barato nos vai sair caro”.

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