A escola mata a curiosidade?

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 14 Junho 2019
A escola mata a curiosidade?
  • Alberto Magalhães

 

De acordo com o jornal Público de terça-feira passada, o físico Albert Einstein terá considerado um milagre que a curiosidade possa sobreviver à educação formal. Poderemos ser levados a pensar que o genial cientista se referia às escolas de finais do século XIX. Mas como não sabemos quando foi expresso este pensamento, temos de considerar que se poderia referir muito belamente a qualquer altura da primeira metade do século XX, já que o seu autor se finou em 1955.

Porém, a minha experiência com crianças desenganadas da escola, nos últimos 40 anos, leva-me a acreditar que o pensamento do pai das teorias da relatividade se mantém igualmente válido para a escola contemporânea.

Pois decerto não serei o único a reparar no frenesim pré-escolar dos “porquês”, autêntico precursor do espírito de indagação científica, mas também de questionamento metafísico, que põe à prova a paciência dos adultos com perguntas tão curiosas como “por que é que as nuvens não caem cá baixo?”, “por que é que mentiste ao vizinho?”, “no Céu também há aquecimento global, ou é só no Inferno?”.

Nem serei o único a reparar que, para muitas crianças – não me atrevo a dizer que seja a maioria – a entrada na escola seca a curiosidade de forma tal que, se um pai ou mãe, sentindo a falta dos “porquês”, se atrever a sugerir, “sabes que as plantas, durante o dia e ao contrário de nós, inspiram CO2 e expiram oxigénio?”, arrisca-se a ouvir um cortante “não quero saber, a professora ainda não deu”.