A esperteza e o futuro

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 17 Outubro 2018
A esperteza e o futuro
  • José Policarpo

 

 

A semana começou com notícias inesperadas, ou nem tanto. Todos os portugueses já sabiam que o Dr. Azeredo Lopes, ex ministro da defesa nacional, estava a prazo exceto o próprio. Porém as demissões no ministério da economia e cultura, foram uma surpresa pelo menos no que respeita ao momento.

O conselho de ministro de sábado passado, contou com os ministros demissionários para a aprovação da proposta do orçamento de Estado e quem os sucedeu é quem irá executar o que não aprovou. Incongruência nisto, os portugueses que façam essa avaliação.

Todos os comentários que vi sobre a questão da remodelação governamental atribuem grande sagacidade política ao primeiro-ministro pela escolha do momento para levar a efeito a maior mexida ministerial operada na presente legislatura. Tinha de resolver um problema, o da Defesa Nacional, e aproveitou a “onda” e surfou-a…

A opinião publicada parece que reconhece grande habilidade política ao Dr. António Costa, e, reforçam a ideia com o recurso a dois exemplos. Os acordos que fez com a extrema-esquerda na Câmara de Lisboa e com os acordos que lhe permitiram ser primeiro -ministro. A legitimidade formal verifica-se, quanto à legitimidade de substância tenho francas dúvidas. Mas, a vida é o que é…

A sagacidade politica também é extensível ou parece ser, ao ministro das finanças, Mário Centeno. Soubemos ontem que a proposta do orçamento de Estado é uma verdadeira acrobacia financeira. Dá tudo a toda gente, mas tira quase tudo, a toda gente. Propõe o aumento no rendimento dos funcionários públicos e pensionistas, mas mantêm a elevadíssima carga fiscal.

Ora, dificilmente a vida dos portugueses será melhor no ano de 2019 do que foi no presente ano devido aos muitos e inúmeros impostos que os contribuintes terão que pagar.

Por último, poderá haver uma consequência não acautelada neste orçamento. Em caso de se verificar um decréscimo no produto interno bruto, a receita diminuirá e como consequência inelutável as contas públicas entrarão novamente em colapso. Por isso, o fantasma de 2011 ainda paira sob as cabeças dos contribuintes portugueses. Chamem-lhe diabo ou outra coisa qualquer. Ele existe, existe.

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