A esquerda politicamente correcta alimenta o racismo

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 29 Janeiro 2020
A esquerda politicamente correcta alimenta o racismo
  • Alberto Magalhães

 

 

Começámos o ano com a estúpida picardia entre o Chega e o Livre que, numa simetria quase perfeita, trataram de instrumentalizar a morte violenta de dois jovens, um em Lisboa e outro em Bragança. Disse simetria quase perfeita porque, enquanto o Livre, precipitadamente, clamou por racismo na morte do jovem cabo-verdiano, o Chega, melhor tacticamente, não mencionou a cor dos assaltantes, apenas referiu, pela milésima vez, a insegurança nas ruas do país.

Agora, novo confronto, com base numa proposta do Livre para um programa de “descolonização da cultura”, uma “estratégia nacional para a descolonização do conhecimento”, passando pela criação de uma comissão composta por museólogos, curadores, investigadores científicos e activistas anti-racistas, com o objectivo de “estimular uma visão crítica sobre o passado esclavagista colonial”, na busca da “justiça histórica”. Como medida concreta imediata, a devolução, pelos museus portugueses, do património roubado às ex-colónias.

Logo Ventura aproveitou para causar comoção no seio das excitadas hostes anti-racistas nacionais, propondo no Facebook “que a própria Joacine seja devolvida ao país de origem”. Depois deste golpe de marketing bem aplicado, as declarações ao Observador, cheias de candura e senso comum (e cito): “O que eu disse ali, numa linguagem algo irónica, foi que quem não gosta da nossa história, quem não se integra e quem não entende a nossa história, quem acha que nós somos assim tão maus, não está cá a fazer nada, foi isso que no fundo quis dizer”. Perante isto, parece-me óbvio que atacá-lo por sexismo e racismo não colhe. Ele podia estar a falar de um emigrante de qualquer cor de pele ou sexo, não podia?

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