A estranha física dos extremos

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 18 Fevereiro 2021
A estranha física dos extremos
  • Alberto Magalhães

 

 

André Ventura e Mamadou Ba, o racista mor e o anti-racista mor cá do burgo, têm a estranha qualidade de se fornecerem mutuamento com energia e visibilidade. Enquanto na física, o encontro entre um electrão e a sua antí-partícula, o positrão, leva a uma forte produção de energia, mas à custa do aniquilamento mútuo, na política, a lei parece ser outra, os extremos alimentam-se dos anti-extremos, ambos engordam com a interacção e, de maneira nenhuma se destroem.

E tem outra coisa, ambos parecem ter estudado pela mesma cartilha de marketing ou, quem sabe, terem contratado a mesma empresa para lhes “fazer” a imagem. Se não vejamos: as mesmas frases bombásticas: “é uma vergonha” / “a bosta da bófia”. “Subsídio-dependentes, vão trabalhar” / “é preciso matar o homem branco”, no mesmo tom exaltado. Ventura quer acabar com o regime corrupto, Mamadou quer combater o sistema racista.

Mas, além do mesmo gestor de imagem, parecem ter a mesma concepção iliberal, tribalista, da política e da vida. Ambos respeitam a liberdade… dos que pensam como eles. Mamadou, se pudesse, acabava com o Chega e Ventura, se pudesse, acabava com o S.O.S. Racismo.

Na verdade, a estratégia parece resultar. Por estes dias, vão estando nas primeiras páginas, nas discussões nas redes e até… nesta nota de hoje e, se calhar… na de amanhã.

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