A Europa aceita ditadura e censura?

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 01 Abril 2020
A Europa aceita ditadura e censura?
  • Alberto Magalhães

 

 

Paulatinamente, a Hungria, um dos nossos parceiros da União Europeia, caminha para uma ditadura, sob a batuta mui astuta de Viktor Orbán. Uma lei eleitoral jeitosa permitiu-lhe ganhar dois terços dos deputados com menos de metade dos votos. Um regimento parlamentar amigo, permitiu-lhe, à segunda tentativa, aprovar uma lei que, da primeira vez, chumbara por não ter os necessários 4/5 de votos favoráveis. Que diz a lei? Permite a Orbán governar por decreto, suspender o Parlamento se lhe apetecer, ou as eleições se lhe convier. A medida é essencial, diz o ditador, para um eficaz combate ao coronavírus, havendo à data, 15 húngaros infectados. Para que a guerra ao covid-19 seja facilitada, o Parlamento aprovou também penas de prisão até 5 anos, para quem “dificultar” a aplicação de medidas de contenção do vírus ou disseminar “informação falsa” e “factos distorcidos”, susceptíveis de causar alarme ou instabilidade social.

O Facebook, o Twitter e o Instagram, eliminaram dois vídeos publicados por Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, por “promoverem desinformação” e causarem “danos reais às pessoas”. Um dos vídeos passou hoje nos telejornais portugueses. É uma conversa de Bolsonaro com um vendedor ambulante, sobre a necessidade do povo, saudável e com menos de 65 anos, trabalhar e não ficar em isolamento. Será idiota? Talvez sim, talvez não. Já ouvi pobres brasileiros, guineenses e indianos dizerem que ficar em casa é morrer de fome. Na Europa parece disparate. Seja ou não seja, alegramo-nos por este acto de censura das redes sociais? O coronavírus deixou-nos prontos para aceitar a prisão de quem disseminar “informação falsa” ou mandar calar o bico a quem promover “desinformação nociva às pessoas”?

Uma nota final: – Aquilo do Cerco do Porto foi tudo um equívoco. A Dr.ª Graça Freitas falou em cerco “generalisticamente” (sic) e não em cerco ao Porto e nunca houve intenção das autoridades sanitárias promoverem tal cerco. Pronto, não se esqueça que hoje é o 1º de Abril.

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